Como ficou - Obras da ponte estão paradas
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quinta-feira, 03 de março de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Frustração é o sentimento que toma conta dos moradores dos conjuntos vizinhos Maria Celina e Barcelona, na Zona Norte de Londrina. Eles reivindicam a construção de um ponte que ligue os dois bairros - separados pelo Ribeirão Lindóia - há pelo menos cinco anos, e até viram o pedido começar a ser atendido no mês passado, com o início das obras. A empreiteira responsável pelo projeto, no entanto, teria paralisado as atividades alegando a espera da entrega de um bueiro e ainda corre o risco de ser advertida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), por ter desviado o curso da água.
A reivindicação é persistente pois, segundo o reciclador Odair Rodrigues, morador do Jardim Maria Celina, uma ponte ligando os bairros poderia economizar até 10 km no percurso dos moradores do jardim Barcelona até o Centro da cidade, ajudando diretamente pelo menos 500 famílias. Até o início das atividades, a ligação entre os bairros era feita por uma pinguela construída pelos próprios moradores, que receberam de um fazendeiro o material para a confecção da travessia. Segundo Rodrigues, os riscos sempre existiram. ''O vale é formado por terra vermelha, que fica escorregadia quando chove. Já vimos muita gente cair a pé e de moto no local'', lembrou.
O início da construção da ponte, que deveria servir de alento para os moradores, trouxe mais preocupações. ''Há um mês, colocaram uma máquina no vale. Cortaram várias árvores, desviaram o curso do Ribeirão Lindóia em mais de três metros e destruíram nossa pinguela. Agora, não temos nem mato para nos segurar quando estamos atravessando o ribeirão'', contou Rodrigues. O problema é compartilhado por vários outros moradores, como o eletricista Dirceu Aparecido Carvalho, que fazia uso da travessa diariamente. ''Há uns dias, havia somente um tronco para a gente atravessar. O risco era muito grande'', afirmou. ''Além disso, a mudança do curso do rio criou uma poça gigante de água que está nos preocupando. Pode virar criatório de mosquitos da dengue'', alertou Rodrigues.
O chefe regional do IAP, Ney Paulo, foi consultado pela reportagem da Folha sobre a legalidade do possível desvio do ribeirão. ''Qualquer mudança no leito de um leito d'água deve ser feita estritamente com a autorização do IAP'', afirmou, destacando também que a Secretaria Municipal de Obras, responsável pela licitação da obra, teria o instituto para legalizar a construção. ''Eles foram autorizados a fazer a transposição do ribeirão e, portanto, inicialmente não serão advertidos. Mas a obrigação é de que recoloquem o leito d'água no lugar certo assim que as obras terminem'', disse Ney Paulo.
Segundo o secretário de obras, Aloysio de Freitas, a população dos dois bairros está ''mal informada'' sobre o andamento do projeto. ''A construtora responsável pela obra aguarda a chegada de um bueiro para canalização da água, que deve chegar ainda neste mês'', avisou. ''Neste período, eles fizeram medições e estudos para viabilizar a instalação do equipamento'', completou.
Sobre o suposto desvio no leito do ribeirão, o secretário afirmou que trata-se de uma necessidade para a instalação do bueiro e que o curso normal será retomado assim que as atividades forem concluídas, em cerca de dois meses.


