COMO FICOU - Máquinas derrubam o que sobrou de praça
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quinta-feira, 10 de março de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Os moradores do Parque Industrial Kiugo Takata, na Zona Sul de Londrina, viram esta semana a possibilidade real de perder uma das poucas áreas verdes do local, a Praça dos Trabalhadores, na PR-445. O terreno de sete mil metros quadrados foi trocado em julho de 2004, pela prefeitura. Mas somente na última terça-feira o atual proprietário do lote colocou as máquinas para limpar o terreno. Em troca da praça a prefeitura recebeu um lote próximo à Avenida Madre Leônia Milito, que possibilitou o prolongamento da Avenida Ayrton Senna (Zona Sul).
A permuta da praça sem consulta prévia dos moradores e dos empresários da região irritou tanto alguns membros da Associação Industrial da Zona de Sul que, em novembro do ano passado, eles resolveram questionar na Justiça a legalidade da ação. ''Tinha bancos, árvores, um mural. No centro tem até uma Araucária de 50 anos'', disse o representante dos moradores da região João Mendonça.
Segundo o presidente da Associação Industrial, Antônio Eugênio Brassal, os empresários só tomaram conhecimento do negócio quando o terreno já estava na mão do terceiro dono. A praça, segundo depoimento de Mendonça, era utilizada pelos trabalhadores das empresas locais nos horários de folga e pelos moradores da região.
De acordo com o vice-presidente da associação, José Rossi, a ação não pretende atingir o atual dono do lote, mas questionar uma atitude que ele considera ''inconstitucional'' do prefeito Nedson Micheleti (PT), uma vez que o projeto de lei foi de autoria do Executivo. ''Imagina se para cada nova obra o prefeito tiver que vender uma praça. Daqui a pouco, eles vão vender o Zerão e o Lago Igapó'', ironizou Brassal.
Pelo artigo 82 da Lei Orgânica do município é proibido ''a doação, a permuta, a venda, a concessão de direito real de uso, a permissão de uso e as dações em pagamento de qualquer área ou fração destinada a praça no âmbito do Município''. As únicas exceções que permitem a troca, ou venda de praças é se a área for destinada aos setores da educação, da saúde ou da segurança, ou se em dez anos a área não tiver sido arborizada e recebido outras benfeitorias.
A reporategem da Folha tentou falar com o prefeito Nedson Micheleti, mas não conseguiu localizá-lo. A assessoria de imprensa da prefeitura afirmou que a ação foi realizada dentro da legalidade, já que os vereadores aprovaram o projeto. Outro argumento é que a área da praça não era residencial, então não precisaria deste espaço, e que a abertura da Avenida Ayrton Senna era mais importante.
''O que nós queremos é que o prefeito discuta a situação conosco'', disse Brassal. O empresário Rossi afirma que em outubro de 2004 Micheleti teria admitido que a venda foi um erro e que resolveria tudo. Porém, após as eleições, os membros da associação já marcaram cinco audiências com o prefeito, das quais duas foram protocoladas, mas apenas alguns secretários apareceram para dar explicações.
Desde que o projeto foi aprovado na Câmara de Vereadores, o terreno já passou pelas mãos de três proprietários. Eles questionam a negociação da prefeitura: ''Nós mesmos temos que pedir autorização da Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina) para vender nossas propriedades'', relatou o presidente da Associação Industrial. Nesta sexta-feira os membros da entidade devem se reunir com o diretor de desenvolvimento da Codel para tentar esclarecer as regras para venda de lotes na região.


