COMO FICOU? - Casas continuam tomadas por andarilhos e mendigos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de março de 2005
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Mais de um mês após a Folha publicar matéria sobre o assunto, as quatro casas abandonadas no Jardim Vale Verde (Zona Sul) que precisam ser demolidas para ampliação do Aeroporto de Londrina e instalação de equipamentos continuam servindo como mocós. As construções, localizadas no final da Avenida Salgado Filho, foram desapropriadas em 1998 e à noite são tomadas por andarilhos e mendigos.
Valmir Alexandre Ribeiro, membro da associação de moradores da região, conta que as pessoas que ficam pelas ruínas durante o dia não atrapalham, mas as que vão até o local à noite são um transtorno para a comunidade vizinha. ''Eles ficam fazendo barulho, batendo nas paredes. Pedem comida, dinheiro e até sal. Alguns urinam na rua'', relata o morador.
Outro problema é que a área abandonada serve como ponto de despejo de sujeira. Além disso, carroceiros costumam levar cavalos para pastar no local, onde com frequência são abandonados animais como cães e gatos. Perto de uma das casas, há um grande buraco, no qual certa vez uma vaca caiu e teve que ser resgatada pelos bombeiros. ''Há mais ou menos um mês, um policial militar que foi falar com pessoas que estavam no mocó quase caiu no buraco. Ele só não se machucou porque segurou na raiz de uma árvore que fica ao lado'', explica Ribeiro.
O único morador fixo do mocó é Martins Lins de Macedo, 69 anos. Ele afirma que não tem onde morar desde que se divorciou. ''Estou disputando na Justiça o direito de receber aposentadoria. Até conseguir isso, não vou ter para onde ir'', lamenta o idoso. O secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, afirma que não há previsão de demolição das casas. ''Devido às chuvas de janeiro, há muito serviço acumulado. Só vamos demolir as construções depois que houver uma folga no cronograma'', diz ele.


