A perda de voz por alguns dias era um indicativo de que a saúde vocal da aposentada Vera Lucia Guioto Carnaghi, 60 anos, não estava nada bem. ''Mas eu não tinha muito tempo para mim e, por isso, nunca fui no médico para saber o que estava acontecendo com minha voz'', conta Vera, que só agora, anos mais tarde, resolveu buscar orientação. ''Resolvi procurar ajuda e vou iniciar um tratamento'', garante.
Vera Lucia fez uma análise vocal e recebeu atendimento gratuito de alunos do 3º semestre e professores do curso de Fonoaudiologia da Unopar. A atividade foi realizada nesta semana, em comemoração ao Dia Mundial da Voz, celebrado no dia 16 de abril.
A iniciativa integra a campanha ''Seja Amigo da Sua Voz'', da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da voz para a promoção da saúde.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas têm alguma dificuldade na voz, principalmente profissionais como cantores, radialistas, advogados, jornalistas e professores.
Entre as doenças mais frequentes estão a laringite (inflamação das cordas vocais), lesões benignas como os ''calos'' (nódulos vocais), polipos e os quistos, o refluxo gastro-esofágico e o faringo-laríngeo. ''O nódulo é a lesão mais comum entre a população e não é um tumor. Existe tratamento com fonoterapia, em que o paciente aprende a respirar adequadamente, articular melhor as palavras, melhorar a ressonância e como exercitar as pregas vocais. A indicação cirúrgica é apenas em casos mais graves'', explica Caroline Meneses, fonoaudióloga e professora da Unopar.
Pela experiência em atendimento, Caroline afirma que entre os erros mais comuns entre a população é o uso de substâncias que, ao invés de melhorar a voz, apenas mascaram o problema. ''Aquelas receitas caseiras como gengibre e chás, além de pastilhas e sprays, só têm efeito se a pessoa se manter calada, em silêncio, sem utilizar a voz'', observa a professora. ''Então, a indicação de uso é momentos antes de ir dormir, mas vale lembrar que essas substâncias não têm eficácia comprovada cientificamente'', acrescenta.
Segundo a fonoaudióloga, esses produtos causam um superaquecimento na laringe, que acaba aliviando momentâneamente o problema, mas não trata. Além disso, ela cita que alimentos como mel e derivados do leite aumentam o muco (pigarro), fazendo com que a pessoa faça mais força para engolir a saliva. ''Além disso, com o tempo podem acabar surgindo outras complicações'', completa.
Então, para garantir uma boa saúde vocal, a especialista informa que qualquer alteração na voz como cansaço, rouquidão, ardência ou sequidão pode ser um sinal preocupante. Nesses casos, o único remédio é procurar um profissional e, se necessário, iniciar um tratamento.

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