Como escolher bem o travesseiro
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quarta-feira, 08 de fevereiro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Para uma boa noite de sono, diversos fatores são fundamentais: luz adequada, silêncio, temperatura agradável, colchão confortável e um travesseiro adequado. Mas nem todos prestam atenção a esses fatores e o resultado pode ir muito além de uma noite maldormida.
A advogada Camila Castro, de Londrina, teve dores no pescoço e na cabeça por conta de um travesseiro inadequado. ''Uma amiga fisioterapeuta me explicou como deveria ser o travesseiro e a importância de adequar a altura à curvatura do meu pescoço. Agora não tenho mais problemas'', garante. Ela conta que escolheu um de viscoelástico e antialérgico e, mesmo com um preço mais alto, optou pela qualidade.
O travesseiro mais adequado, segundo especialistas do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), é aquele que mantém o alinhamento do pescoço e do tronco. Por isso, a altura do travesseiro é o fator mais importante na hora da compra. E dormir de lado é a posição mais recomendada. Melhor ainda quando se recorre ao uso de dois travesseiros - aquele que mantém a cabeça alinhada e um outro posicionado entre os joelhos.
De acordo com o ortopedista Antonio Eulálio, do Into, não existe um modelo melhor ou pior. Nem todas as pessoas se adaptam ao mesmo tipo de travesseiro. A escolha deve ser individualizada e, muitas vezes, é necessário fazer o teste com mais de um tipo. O importante é que o produto ocupe o espaço entre o ombro e a cabeça na hora de dormir de lado, sendo que esta altura tem uma variação de 10 a 15 cm .
''Uma pessoa que dorme com travesseiro muito alto ou muito baixo manterá a cabeça inclinada para um dos lados, o que causa uma contração dos músculos do pescoço, levando a pessoa a acordar com torcicolo. Para pessoas que dormem de bruços ou de costas, sugerimos um travesseiro mais baixo'', diz o ortopedista.
Dores
Para pessoas que sofrem de dores na coluna cervical, na lombar ou têm hérnia de disco não existem modelos específicos de travesseiros. A recomendação, no entanto, é que durmam de lado, com os quadris e os joelhos semifletidos usando um travesseiro entre eles. Pessoas com sintomas de dores crônicas devem procurar o seu ortopedista para um diagnóstico.
A posição para quem ronca ou sofre de apneia obstrutiva do sono também é fator determinante. ''Um posicionamento inadequado do pescoço pode diminuir o fluxo de ar, assim como um travesseiro muito macio faz com que o nariz afunde no próprio travesseiro, dificultando a respiração durante o sono'', explica Eulálio.
Esse é o problema do autônomo Antônio Aparecido Morais, que gosta de travesseiros altos, mas reconhece que isso agrava o ronco. ''Às vezes durmo com dois baixos e se minha esposa reclama que estou roncando muito, fico com um travesseiro só'', conta. Ao contrário dele, a dona de casa Teresa da Silva opta por dormir sem travesseiro, mesmo com tantas opções no mercado. ''Me incomoda muito, independente da altura. Parece que dormi no sofá, fico com dor no pescoço e por isso desde criança prefiro dormir sem nada'', destaca.
Tentativas
O motorista Alexandre Palhão conta ter um sono muito ruim e já fez várias tentativas para melhorar a qualidade do descanso. A última foi trocar o travesseiro, atividade para a qual contou com a experiência do vendedor. ''Ele me recomendou aquele de viscoelástico e resolvi experimentar. Mas ainda tenho problemas, porque sou acostumado a dormir com o braço embaixo do travesseiro, o que acaba incomodando um pouco também'', conta.
O ortopedista do Into lembra ainda que dormir com o braço embaixo do travesseiro, além de prejudicar o alinhamento da coluna, pode causar problemas de circulação, uma vez que o peso sobre o braço acaba por comprimir algumas veias e nervo. ''Algumas pessoas compensam um travesseiro muito baixo ou aqueles que afundam muito, dormindo sobre o braço. Dessa forma, a pessoa pode acordar com o braço dormente ou até com perda temporária dos movimentos'', relata.


