Quando o assunto é construção ou reforma de imóveis, as reações nas pessoas são as mais diversas. Há quem adore e quem deteste. Mas uma das questões que mais tiram o sono dos ''empreendedores'' é mesmo o custo final da obra. A Folha ouviu especialistas que dão dicas para evitar que o sonho vire pesadelo.
O gerente de engenharia da Plaenge Empreendimentos, Rogério Cardoso, afirma que a primeira coisa a fazer na hora de construir ou de reformar é procurar um profissional especializado.
''O passo inicial é contratar um bom arquiteto. É ele quem vai identificar as necessidades da construção, transcrevendo para o papel a idéia principal, e desenvolver, com a ajuda de engenheiros terceirizados, os projetos auxiliares'', completou Cardoso.
Com o estudo arquitetônico em mãos, a segundo etapa, para o gerente, é elaborar o orçamento disponível, definindo quanto recurso se tem para gastar. Assim será possível ajustar a idéia inicial aos valores disponíveis, permitindo a realização de projeto econômico e ajustado.
A última etapa para Cardoso é fazer o planejamento das obras. ''Quem vai construir ou reformar precisa definir os cronogramas físico (em quanto tempo fica pronta) e financeiro (como será a distribuição do dinheiro). Essa é a forma racional, que contribui para diminuir custos'', conclui.
O engenheiro civil Edgard Marin concorda que a contratação de profissionais especializados é a principal maneira para não perder dinheiro. ''É imprescindível ter um bom projeto arquitetônico, que atenda às necessidades, aliado aos projetos hidráulico, elétrico e estrutural.''
Segundo Marin, ao contrário do pensa muita gente, a presença de um engenheiro civil numa construção diminui os custos. ''Vemos muitas besteiras sendo feitas por pessoas sem conhecimento técnico. Isso é que faz o gasto subir, pois será necessário consertar os erros.''
Nas obras simples, a contratação direta de mestres de obra e de pedreiros pode até ser aceitável, afirma Marin. Mas naquelas em que alterações estruturais, elétricas e hidráulicas forem necessárias, é exigido por lei a contratação de um engenheiro.
Material Mas, segundo o engenheiro, a questão não é apenas legal. Numa construção que obedeça critérios técnicos, erros comuns como a compra de material em excesso ou em pouca quantidade são evitados.
Além disso, o engenheiro civil pode avaliar a questão de preço e de qualidade. ''Muitas vezes, sem a ajuda do profissional da área, quem constrói acaba comprando produtos de 'grife', mesmo que haja similares mais baratos.''
Outra boa saída para economizar, garantem especialistas, é a estocagem dos materiais. Apesar da inflação estar sobre controle, comprar antecipadamente, de preferência à vista, gera economia.
''O consumidor deve se preocupar com as sobras e com as faltas. Armazenar material enquanto se captaliza é uma boa saída, mas usando sempre o bom-senso'', completou Marin.
Planejamento O engenheiro diz acreditar que planejamento é essencial para quem não quer gastar muito durante a construção. ''Quem altera o projeto durante a execução sempre perde dinheiro. Por isso é importante passar um ou dois meses discutindo o projeto.''
Para que a obra aconteça sem grandes problemas, no entanto, não basta apenas contratar o profissional técnico. É importante procurar referência sobre ele com amigos e parentes.
Além disso, é válido buscar informações sobre os engenheiros e arquitetos junto ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) para saber se o registro profissional apresenta alguma ressalva.

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