Como diminuir a violência nas escolas?
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sexta-feira, 20 de abril de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Ao invés de discutir índices, maioridade penal ou número de policiais, representantes de várias entidades reuniram-se ontem em Londrina para discutir as origens do aumento da violência, em especial dentro das escolas, e a partir daí procurar soluções e medidas preventivas.
O núcleo de Londrina do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato) promoveu no Hotel Sumatra, o ''Seminário sobre violência escolar'', com o objetivo de ampliar o debate e envolver diversas esferas do poder público e da sociedade na discussão sobre o tema, como as secretarias municipais de Educação e Ação Social, Patrulha Escolar, Núcleo Regional de Educação, Conselho Tutelar, Ordem dos Advogados do Brasil, professores, diretores e funcionários das escolas.
Um dos primeiros pontos a serem levantados foi o senso comum de que não é possível estudar a violência nas escolas sem abordar a criminalidade de forma geral. ''A escola tem um papel fundamental no sentido de transmitir conhecimentos e formar atitudes. Mas recebe influência do meio. Nenhuma escola é um oásis'', afirmou Luiz Carlos Paixão da Rocha, representando a diretoria do APP Sindicato. ''A educação é indispensável, mas a escola sozinha não é capaz de resolver esse problema'', concordou a secretária municipal de educação, Carmem Sposti.
Um exemplo desse tipo de situação teria ocorrido na noite de quinta-feira, nas proximidades da Escola Municipal Nara Manella (Zona Norte). Segundo reclamação de pais, um grupo de adolescentes teria ameaçado de morte um aluno na saída das aulas. A direção informou que nada de anormal teria ocorrido dentro da escola. No período noturno, a unidade é voltada para educação de jovens e adultos e atende cerca de 300 alunos, maiores de 14 anos.
''A solução passa pela redução da criminalidade como um todo. E isso depende de uma redução da desigualdade social e do desemprego, maior urbanização das favelas, educação em tempo integral e outras medidas'', apontou o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso. Para o delegado, que já foi professor e secretário de educação em Apucarana, os pais deixaram de dar limites aos filhos, papel que tem sido delegado às escolas, sobrecarregando-as.
Rocha, da APP Sindicato, também apontou um maior envolvimento entre a comunidade e as instituições de ensino como uma das ações possíveis de serem adotadas, bem como o desenvolvimento de projetos extra-classe e inserção dos alunos em programas culturais, artísticos e esportivos após o período de aulas. ''O que é preciso são mais políticas públicas em áreas como saúde e educação'', salientou, ressaltando que a população precisa exigir um maior investimento de recursos do governo nesse sentido. ''É um problema complexo, mas se ficarmos esperando um conjunto de soluções para o futuro o problema tende a aumentar. É importante que cada segmento busque fazer a sua parte.''


