Como decidir entre o conserto e a compra
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O que compensa mais: mandar para o conserto o antigo ferro de passar roupa ou aproveitar a promoção ''imperdível'' da loja de departamentos e comprar um aparelho novo? Esta é uma dúvida comum entre os consumidores, principalmente diante das facilidades de financiamento dos eletrodomésticos e das ofertas de modelos para todos os bolsos.
Uma regra é básica: os aparelhos mais antigos, de marcas tradicionais no mercado, compensam o conserto, desde que o reparo não se aproxime demais do preço de um aparelho novo. ''Quando o produto é de qualidade e o conserto é orçado em até 60% do preço de um produto novo, compensa. Mas se o aparelho já é de qualidade inferior não adianta, porque provavelmente em pouco tempo o cliente vai voltar a ter problemas'', aconselha Milton Vizoni, proprietário de uma das mais tradicionais empresas de conserto de Londrina.
Segundo ele, os aparelhos de qualidade superior chegam a custar o dobro, mas em compensação oferecem chances bem maiores de recuperação, além de maior durabilidade. ''Hoje em dia tem muitos produtos a preços acessíveis que são 'semi-descartáveis'. Os importados via Paraguai, por exemplo, nós nem pegamos, porque não há peças para reposição.'' O comerciante recomenda que, ao adquirir um produto importado, o consumidor preste atenção se há garantia e se o fabricante oferece assistência técnica''. Os produtos nacionais, lembra Vizoni, também têm a vantagem de serem protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor.
Antes de decidir pela compra ou pelo conserto, o comerciante recomenda que o aparelho seja enviado à oficina para orçamento. ''Nós temos o costume de orientar o cliente quando o reparo não compensa.''
Para Vizoni, a opção de consertar em vez de comprar sempre vai existir. ''Neste ramo do comércio nunca falta cliente, porque em tempos de maior crise, as classes mais abastadas optam pelo conserto e os de menor condição financeira deixam de lado o aparelho. Quando a situação melhora, os ricos compram aparelhos novos e os outros mandam consertar.'' Os campeões de frequência neste tipo de oficina, de acordo com o comerciante, são aqueles eletrodomésticos que estão presentes em toda casa e que são usados o ano inteiro, como ferro de passar roupa e liquidificador.
Outro comerciante antigo no ramo, Alcides Gonini, resolveu abandonar o conserto dos chamados aparelhos portáteis depois de mais de 20 anos prestando este tipo de assistência por achar que não vale mais a pena. ''O preço não compensa. Dependendo do tipo de aparelho, como secador de cabelo caseiro e ferro elétrico dos mais comuns, é melhor comprar outro'', justifica. Atualmente Gonini concentra seu trabalho em eletrodomésticos de grande porte, como lavadoras de roupa, fogões e refrigeradores.


