Educar um filho não é tarefa fácil, principalmente quando a desobediência vem à tona. Mas é preciso saber comedir as correções para não exagerar e também não deixar que as regras fiquem frouxas demais. ''A criança não nasce com valores sociais internalizados, por isso, cabe aos pais a função de mostrar o que deve ser feito e os limites que precisam ser respeitados'', explica a neuropsicóloga Rosimary de Oliveira.
Casos de excessos nas correções não são raros. Recentemente, a mídia divulgou a notícia de uma menina chinesa de 6 anos que morreu depois de ter sido obrigada por seu pai a correr durante seis horas como forma de castigo por ter bagunçado a casa da família. O corpo da garota também apresesentava vários hematomas que foram causados por agressões desferidas com sapato por seu pai.
Embora não haja receita pronta sobre como corrigir os filhos, a indicação de Rosimary é usar sempre o bom-senso e mostrar para a criança que suas atitudes terão uma consequência. ''Pode ser uma consequência de valorização de um comportamento adequado, como obediência ou organização, por exemplo, ou de correção diante de um comportamento indesejado, como birra, desobediência e atitudes agressivas.''
De acordo com a especialista, o diálogo é peça fundamental na educação dos filhos. Faz com que a criança entenda o que pode e o que não pode fazer. ''Mas entender não significa que ela não vá fazer; ela pode ter consciência e até falar o que é certo e errado, porém, desobedecer faz parte da natureza da criança'', atenta.
De 3 a 4 anos os pequenos querem que prevaleça o desejo deles, e ''é este o momento dos pais agirem pontualmente, pois a partir desta fase a criança desenvolve o conceito de moralidade''. No entanto, é preciso ter bom-senso e aplicar as consequências compatíveis com o que o filho fez.
Se a mãe avisa que não é para mexer na penteadeira, mas a criança mexe e quebra um perfume, por exemplo, o primeiro passo é conversar sobre o que aconteceu e fazê-la entender que errou porque desobedeceu. Neste caso, a orientação da neuropsicóloga é que o próprio filho limpe o que está no chão ou que seja privado de brincar com um objeto dele porque mexeu no que é de outra pessoa.
A ideia do castigo não deve ser de punição exclusivamente, mas sim de correção. Rosimary ensina que os pais não devem se deixar levar pela impulsividade no momento da raiva porque a criança acaba obedecendo por medo, não internaliza os valores e longe deles faz coisas erradas. ''Os filhos devem enxergar nos pais uma figura de autoridade e saber que a escolha de receber castigo vai ser sempre dela'', completa.
A especialista observa, ainda, que os dois maiores erros que os pais cometem são a inconsistência (prometem punir e não cumprem) e a incoerência (um dia exageram na imposição de limites e no outro não fazem nada). Ela alerta que se a criança percebe que os pais são consistentes na aplicação da consequência, vai abusar menos.
Segundo Rosimary, as crianças entendem muito cedo as regras estabelecidas. Portanto, a partir do momento que adquirem linguagem, com cerca de um ano de idade, os pais já devem dialogar e explicar o que pode ou não ser feito. Já para as crianças que ainda não desenvolveram a linguagem, devem dizer não e tirá-las de perto do objeto ou da situação para que entendam que não pode.
Muitas vezes, os pais ficam focados apenas nas consequências do comportamento ruim e esquecem de elogiar os bons comportamentos. ''Parece que se comportar bem é obrigação, mas no desenvolvimento da criança é muito importante valorizar e sinalizar o que elas fazem de bom'', ensina.

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