Ney de SouzaGato por lebreA americana Kathlene Karg examina produtos no Paraguai; EUA calculam perda em US$ 190 milhões/anoAgentes especiais do FBI, membros do governo e empresários norte-americanos fizeram ontem um rastreamento em Ciudad del Este, fronteira entre Brasil e Paraguai, para identificar o tamanho da pirataria industrial. Os Estados Unidos estimaram que o país perde cerca de US$ 190 milhões anuais com a pirataria e propôs ajudar o Paraguai a identificar os focos da falsificação industrial.
Os Estados Unidos começam a pressionar o Paraguai ‘‘a entrar no eixo’’ e acabar com a pirataria. No encontro sobre propriedade intelectual em Ciudad del Este, ontem, o chefe da delegação, Franz Fernandez, adido econômico e comercial dos Estados Unidos na embaixada norte-americana no Paraguai, foi enfático e deu um recado claro. ‘‘Falsificação é roubo e é o mesmo que um ladrão entrar na sua casa e lhe assaltar’’, disse.
Os americanos passearam pelo centro de Ciudad del Este, que movimenta cerca de US$ 6 bilhões por ano, e constataram que 85% das marcas americanas eram falsificadas. A maioria, equipamentos de informática, aparelhos de som, televisores, videocassetes, videogames e fitas-casseste.
A assessora legal para a Amércia Latina da Business Software Association (BSA), Suzana Bunnel, era a mais preocupada com o tamanho da pirataria no país sócio do Brasil no Mercosul. ‘‘O pior é que atende à demanda de países do Mercosul, principalmente o Brasil. Quer dizer, o problema ultrapassa a fronteira.’’
Os EUA afirmam que o Paraguai recebe basicamente a matéria-prima para a falsificação, principalmente de procedência asiática, e imprime marcas americanas. Segundo Suzana, o Paraguai está sendo usado por vários países do mundo sem se dar conta disso. ‘‘O Paraguai precisa ver que a principal vítima é ele mesmo.’’
Empresários paraguaios manifestaram o temor de que a campanha americana traga desemprego em massa. Mas isso não é motivo, segundo os americanos. ‘‘Enquanto o país permanecer na clandestinidade comercial, nenhum grande empresário americano vai se instalar no país. Eles vão trazer desenvolvimento e empregos. Um americano não quer ver seu produto misturado com a pirataria’’, retrucou a assessora da BSA.
O gerente de Operações Antipirataria para a América Latina do governo americano, George Archimbaud, disse que a estratégia a partir de agora será dividida em quatro fases e que os EUA, inicialmente, não pretendem fazer sanções nem colocar o FBI na cola dos paraguaios. Segundo ele, a primeira etapa é fazer um raio-X da situação e, depois, pressionar o governo paraguaio e treinar juízes e policiais para detectar as falsificações. ‘‘Um ataque ofensivo depende de uma autorização expressa do presidente Bill Clinton’’, afirmou.

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