Quedas constantes ao tentar utilizar as rampas que deveriam melhorar a acessibilidade, falta de banheiros adaptados, elevador constantemente lotado por quem não tem problemas para se locomover. Estes são só alguns dos desafios enfrentados há anos pelas pessoas com deficiência que utilizam o Terminal Urbano Central de Londrina. Ontem elas puderam mostrar, na prática, as muitas batalhas que têm que vencer diariamente.
A convite do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Londrina (CMDPD), o prefeito Barbosa Neto, acompanhado do secretário especial de Acessibilidade, José Guiliangeli de Castro, de representantes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e de cinco vereadores, participou, na tarde de ontem, de dinâmica para comprovar as falhas existentes no local. Barbosa não chegou a usar a cadeira de rodas, como alguns vereadores, mas anotou em um pequeno bloco todas as reivindicações e deu alguns passos de olhos vendados.
Para o vereador Rony Alves (PTB), ficou claro que a cidade não oferece as mínimas condições para as pessoas com deficiência e revelou ter presenciado, dias atrás, a falta de preparo dos motoristas e cobradores para atender os cadeirantes.
Ana Paula Luíza de Andrade, membro do CMDPD e cadeirante, considera as rampas de acesso às plataformas do piso inferior o maior problema do local. Além de muito íngremes, elas não têm piso antiderrapante. ''Eu já caí várias vezes, em uma delas acabei com meu joelho. Ela acha que um elevador é pouco para o grande número de usuários do local. ''As pessoas não entendem que a gente tem que ter prioridade.''
Ana Paula acredita que a visita da comitiva ao terminal pode surtir efeitos positivos. ''É diferente quando as pessoas sentem na pele os problemas que a gente enfrenta.'' O presidente do Conselho, Almir Rogério dos Santos Escatambulo, informou que o objetivo do convite foi chamar a atenção para o problema da falta de acessibilidade, e também se disse confiante no resultado da iniciativa.
Recomendação
A promotora de Defesa das Pessoas com Deficiência de Londrina, Solange Novaes Vicentin, não se surpreendeu com as falhas detectadas durante a visita. ''Faz mais de três anos que estou pedindo que melhorem a situação do terminal. Na época fiz uma vistoria com integrantes do Conselho e assinalamos as medidas mais urgentes, mas nada foi feito. Mais recentemente fiz uma recomendação administrativa, que resultou na reforma das calçadas do entorno e retirada dos ambulantes. Espero que agora, com a constatação in loco dos problemas, as providências sejam aceleradas.''
Ao final da visita, Barbosa Neto prometeu que em um prazo estimado de 60 dias será iniciada uma reforma no terminal, que deve resolver os principais problemas. ''Vamos fazer todo o possível para que as pessoas tenham o direito de acessibilidade respeitado'', garantiu. Segundo o presidente da CMTU, André Nadai, a reforma está orçada em R$ 225 mil e os recursos já estão disponíveis.

mockup