Um comitê formado por representantes da sociedade civil e coordenado pelo presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, ficará responsável por definir o futuro do serviço de água e esgoto em Londrina. O anúncio da criação do Comitê de Água, Esgoto e Saneamento Básico foi feito, na tarde de ontem, pelo prefeito Nedson Micheleti (PT). O atual contrato com a Sanepar vence no dia 10 de dezembro, por isso o prefeito cogita a possibilidade de ser assinado um contrato emergencial, com prazo de validade de seis meses, para que o serviço não seja interrompido.
Nedson esclareceu que cerca de 40 entidades e a própria Sanepar estão sendo convidadas a participarem da discussão. Ele disse que serão consideradas informações levantadas pelo município e por outros segmentos, como a Câmara, para definir a questão. ''A posição da prefeitura será a mesma do comitê'', prometeu.
Segundo Nedson, para tomar sua decisão, o comitê deverá se preocupar em discutir pontos importantes, como o custo do sistema, a qualidade do serviço prestado pela empresa nos últimos 30 anos, suas políticas sociais e a questão ambiental. Ele acrescentou que também serão analisados contratos firmados entre a empresa e outros municípios. Um exemplo é o contrato assinado com Curitiba, onde a empresa se comprometeu a pagar R$ 125 milhões. ''O saneamento básico é uma carência. Faltam investimentos nessa área'', ressaltou.
Dentre as possibilidades discutidas pelo comitê está a municipalização do sistema. O prefeito acredita que o município não teria dificuldades para gerenciar o serviço. Ele explicou que não seria necessário o ressarcimento dos investimentos, somente assumir os financiamentos feitos pela empresa para obras na cidade. Outras duas opções são a renovação do contrato e a prefeitura ficar responsável pelo gerenciamento (a empresa continuaria com a operacionalização).
Nedson considera fundamental o município poder discutir as tarifas, principalmente a social, a serem implantadas pela empresa. Sella preferiu não definir um prazo para se chegar a uma decisão. Ele adiantou que será destacado um grupo jurídico para auxiliar no estudo.
O gerente de Receitas da Sanepar, Oscar Fernandes, considerou positiva a iniciativa de formação do comitê. Ele entende que a discussão permitirá se chegar a um contrato que atenda aos anseios da população. Fernandes não quis comentar a possibilidade de ser assinado um contrato emergencial. Segundo ele, isso não havia sido discutido durante as reuniões com o município.
O município de Cambé (13 Km a oeste de Londrina), também está discutindo o futuro do serviço da água e esgoto. Está previsto para hoje, às 19h30, na Casa da Família, uma reunião com representantes da Sanepar. Durante o evento, a empresa terá a oportunidade de apresentar dados sobre os serviços prestados ao Município em 30 anos de concessão. O contrato com a Sanepar vence no dia 30 de novembro.

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