Comitê de Informática inicia aulas hoje
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segunda-feira, 14 de abril de 1997
Edmara Michetti 
Milton DóriaPreparando o futuroMarcos e os instrutores Roberto e Nilton: objetivo é dar noções básicas de computação aos alunosA Escola de Informática e Cidadania José Lopez Lopez do jardim União da Vitória (zona sul) inicia as aulas das primeiras turmas hoje. A escola faz parte dos trabalhos do Comitê para Democratização da Informática de Londrina que já atua no conjunto São Lourenço, também na zona sul. Quarenta alunos - todos moradores do União da Vitória - divididos em quatro turmas estão inscritos para o curso. A lista de interessados já passa de 100 pessoas, segundo informações da Associação de Moradores do União da Vitória, que vai gerenciar a escola. O objetivo do Comitê é criar condições de acesso à informática a comunidades carentes que não têm condições de arcar com os custos de cursos em escolas particulares.
Com aulas de uma hora, três vezes por semana, o curso de 30 horas dará condições, segundo o coordenador geral do Comitê, professor Ronaldo José Nascimento, de conhecimentos básicos do assunto. É o que podemos oferecer com os equipamentos que dispomos. A Escola de Informática do União da Vitória está equipada com cinco terminais 286 e um servidor.
Os equipamentos que formam a Escola José Lopez Lopez foram doados por um empresário local que também deu os móveis, adequou a instalação elétrica da sala, instalou a iluminação e pintou o local. A idéia do Comitê é conseguir equipamentos mais modernos, através da doação de empresários. A escola vai funcionar em uma sala do prédio construído para abrigar o projeto Clube do Irmão Caçula do Governo do Estado.
Para fazer o curso basta saber ler e escrever, além de fazer parte da comunidade do bairro. As aulas serão dadas por dois instrutores que também são do bairro. Os instrutores da Escola do União da Vitória, que já têm uma base de informática, serão capacitados pelo departamento de Computação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e depois orientados pelo coordenador geral do Comitê.
A manutenção da escola e pagamento dos instrutores serão feitos pela cobrança de uma mensalidade de R$ 5,00 dos alunos. A associação de moradores ficará com 20% do total e o restante será dividido entre os dois instrutores.
Daqui uns cinco anos, no mundo de hoje, quem não tiver uma noção básica de computação não vai ser ninguém, acredita um dos alunos da primeira turma, Marcos Venicios Sales, 27 anos. Integrante do conselho fiscal da associação, ele esteve ajudando na arrumação da sala, antes do início das aulas. Sabendo computação fica mais fácil de tentar um outro serviço. Casado e pai de uma filha de dois anos, Sales é guarda do prédio do Clube do Irmão Caçula.
O instrutor Roberto Aparecido Ferreira, 21, acredita que ensinar um pouco do que aprendeu em dois anos de curso de informática vai ser um meio de ajudar a mostrar o que tem de bom no bairro. Nilton Mendes, 26, o outro instrutor, espera que ensinando os vizinhos do bairro ajude a aprimorar seus conhecimentos na área.
O próximo núcleo de informática a ser implantado pelo Comitê atenderá alunos com deficiência física do colégio Hugo Simas. As primeiras turmas devem começar o curso dentro das próximas semanas. Pelo núcleo do conjunto São Lourenço, que funciona há mais de dois anos na Escola Estadual Vani Ruiz Viessi, já passaram 80 pessoas. Desativado há alguns meses, devido a mudanças na diretoria da Escola Vani Ruiz Viessi, o núcleo de informática do São Lourenço está retomando as atividades esse ano.
Enquanto as escolas instaladas oferecem os cursos básicos, o Comitê está tentando recursos na Itália para adquirir novos equipamentos. Os contatos estão sendo feitos junto ao programa Cáritas, da Igreja Católica. Segundo Nascimento, a coordenação do projeto de democratização da informática do Rio de Janeiro, idealizadora dos Comitês, conseguiu 100 computadores de empresários dos Estados Unidos que conheceram a proposta.


