Comitê apura suposta negligência médica
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quinta-feira, 13 de maio de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O Comitê de Avaliação da Mortalidade Infantil da 17 Regional de Saúde vai apurar denúncias de suposta negligência no Hospital São Francisco e no Posto de Saúde de Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Duas crianças morreram e uma teve de ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU), após passarem por atendimento de emergência nos estabelecimentos de saúde. A Secretaria de Saúde de Tamarana nega as acusações.
O comitê tem um mês para investigar as circunstâncias das mortes e, se necessário, encaminhar o caso para a Secretaria de Estado da Saúde. Hoje, auditores da Regional vão a Tamarana para investigar o caso. ''Serão avaliadas as causas das mortes e se poderiam ser evitadas'', explicou a chefe da Seção de Integração e Promoção da Assistência à Saúde (Sipas) da Regional, Maristher Gutierrez. As investigações podem culminar em encaminhamentos ao Ministério Público, Polícia Federal e Conselho Regional de Medicina (CRM).
Dalva da Luz Gaspar, 45, e Natalício Domingos, 41, estão revoltados com a perda do filho João Vítor, de 1 ano e 35 dias, em 31 de março. Após ficar internado por cinco dias, com suspeita de pneumonia, o bebê morreu porque teria sofrido um afogamento no quarto da enfermaria. ''Ele ia embora de manhã e morreu de madrugada. O médico só falou que, infelizmente, não teve como salvar meu filho'', indignou-se Dalva.
Sueli Sobral Correia, 39, e Maria Ferreira de Almeida, 40, são, respectivamente, avó e tia de Jean Lima dos Santos, que morreu em 5 de maio, dois dias antes de completar um ano de idade. Após procurar o hospital para tratar da febre de Jean, o menino foi medicado, fez uma sessão de inalação e liberado em seguida. Após apresentar piora, ele foi levado novamente ao hospital, onde morreu. No atestado de óbito, foi informada ''morte natural de causa desconhecida.'' ''Queremos saber do que ele morreu'', cobrou Maria.
Com apenas um ano e meio de idade, Adrian Henrique passou cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário (HU) de Londrina, após ter caído em um balde de água. O incidente ocorreu domingo e, após ser atendido em Tamarana, Adrian precisou ser levado para a UTI, de onde foi liberado somente na manhã de ontem. ''Depois de sair a primeira vez do hosital, até um defunto estava mais quente do que o meu filho'', comparou Lurdes Aparecida do Amaral, 26 anos. Ela e as outras mães estiveram ontem reunidas com Maristher.
A secretária de Saúde e diretora do Hospital São Francisco, Aparecida Nakaoka Rochedo, disse que após o afogamento de João Vítor, não foi possível reanimá-lo, mas não teria faltado atendimento. No caso de Jean, a família teria sido orientada a autorizar a autópsia para determinação da causa da morte, mas não teria concordado. Ela disse ainda que foi constatado que Adrian Henrique já possuía lesões no pulmão. ''Concordo plenamente com o trabalho da comissão, até porque trabalho conforme as determinações da Regional.''


