Comitê alerta para fuga de especialistas das IES
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quinta-feira, 12 de dezembro de 1996
Marcos Zanatta<br> Sucursal de Maringá 
Os representantes do Comitê em Defesa do Ensino Superior Público do Paraná alertaram, ontem, em Maringá, que o projeto de autonomia universitária pode gerar uma fuga de especialistas das Instituições de Ensino Superior (IES). Eles se reuniram para definir a programação do encontro Para onde vai a universidade pública paranaense, que será realizado amanhã em Maringá.
Segundo o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá (Aduem), Nelson Garcia, os projetos que vem sendo elaborados para votação na Assembléia Legislativa no mínimo vão desmontar boa parte das IES. Ele compara que hoje existem 480 doutores e 1.330 mestres nas 11 faculdades e cinco universidades estaduais do Paraná. A formação de um doutor custa para a comunidade US$ 200 mil, e de um mestre US$ 100 mil, diz.
Nelson Garcia explica que com a autonomia, os doutores e mestres que já são sub-utilizados e estão descontentes, com certeza partem para a iniciativa privada. No mínimo o Estado vai estar dando profissionais que custaram caro para servir a iniciativa privada, disse. Ele afirma ainda que hoje as IES são o principal braço do Estado no interior. Com a autonomia, a tendência é o governo fortalecer ainda mais os investimos na região metropolitana da capital, acredita.
O presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), José Mário Angeli, acha que a forma de autonomia proposta pelo Estado vai acabar com a unidade na instituição. Cada setor e departamento terá autonomia para fazer o que bem entender, e isso não vai dar certo, avisa. Ele acha que as IES precisam resistir às propostas do governo, defendendo a autonomia da forma como sempre foi defendida pelas entidades representativas das faculdades e universidades estaduais.
O encontro de amanhã será aberto com palestra do reitor da USP (Universidade de São Paulo), Flávio Fava de Moraes. Em seguida os participantes debatem a autonomia universitária e no período da tarde as estratégias e encaminhamentos do movimento. A única certeza até agora, segundo Nelson Garcia, é que será definida uma forma de vigília na Assembléia Legislativa, no período previsto para a votação do projeto de autonomia. O encontro começa às 9 horas, na sede da Aduem.


