Comissão vistoria carceragem superlotada
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Adriana De Cunto<br> Reportagem Local 
Curitiba - Representantes do Ministério Público (MP), da Vigilância Sanitária, do Corpo de Bombeiros, da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) realizaram ontem uma vistoria na carceragem do 11º Distrito Policial (DP), na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). O local, com capacidade para 38 detentos, abrigava ontem 163 presos - lembrando que duas das 10 celas estavam interditadas porque na véspera os presos se rebelaram para chamar a atenção dos carcereiros para a situação de um detento que precisava de socorro médico.
O 11º DP abriga a maior população de presos em distrito policial de Curitiba e já foi alvo de interdições por causa das péssimas condições provocadas por superlotação. Os detentos ocupam dez celas, mas como o espaço é insuficiente, os homens têm que se revezar para dormir também nos corredores. A imprensa só pôde acompanhar a visita até a porta que dá acesso à carceragem. Porém foi possível perceber que o local é escuro, quente, úmido e com cheiro desagradável e muito forte.
Os promotores Maria Aparecida Mello da Silva Losso, Ana Paula Tomasi Serrano e Cláudio Siminovich, da 7ª Promotoria Criminal, ouviram as principais queixas dos presos. Os detentos reclamaram da superlotação, da qualidade da comida, contaram que convivem com ratos e baratas, têm acesso a banho apenas duas a três vezes por semana, dormem diretamente no chão e lembraram que há pessoas com doenças contagiosas e problemas de saúde que exigem condições especiais. Os detentos contaram que urinam em garrafas de plástico e as fezes são colocadas em sacos plásticos para depois serem jogadas fora. Há problema de vazamento e as latrinas estão constantemente entupidas. Na parte dos fundos do 11ºDP, a fossa está com capacidade saturada e o cheiro é muito forte.
Um dos presos, que pediu para ser identificado como Noturno, contou que na noite de anteontem, os detentos iniciaram uma rebelião para conseguir atendimento médico a um companheiro que passou por cirurgia de colostomia e usa uma bolsa coletora. "Nós queremos ser tratados como seres humanos e não como monstros", disse Noturno.
A advogada Isabel Kluger Mendes, da Coordenação de Defesa dos Direitos Humanos da OAB, ressaltou que a vistoria de ontem foi importante porque o Ministério Público conheceu a realidade e pode tomar uma providência que melhore as condições no 11º DP. "Eles estão presos, ninguém está defendendo de que eles não cumpram o débito contraído com a sociedade. Mas não nessas condições. O que vocês viram hoje é uma escola de fazer bandido. Qualquer um luta com as próprias mãos para abrir, como aconteceu a semana passada, um túnel para poder sair, para poder fugir", afirmou.
A promotora Maria Aparecida Losso explicou que o MP vai fazer um relatório sobre a vistoria e esperar os relatórios do Corpo de Bombeiros e da Vigilância Sanitária para então decidir qual providência será tomada. A delegada Maritza Maira Haisi, titular da Divisão da Capital, reconheceu que as condições sanitárias ficam prejudicadas por conta da superlotação, mas frisou que o Estado presta atendimento médico quando há casos de presos doentes. Sobre a qualidade da comida, a delegada lembrou que a alimentação é fornecida por uma empresa terceirizada e ressaltou que não há racionamento de água para banho.


