Comissão vai investigar Apae
Maigue Gueths
De Curitiba
O vice-presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Curitiba, deputado estadual César Seleme (PPB) afirmou ontem que a intervenção da Federação das Apaes no Paraná sobre a instituição foi uma atitude política, envolvendo o deputado federal Flávio Arns (PSDB), presidente da federação, que queria prejudicar a Apae Curitiba. A diretoria provisória, que assumiu a Apae Curitiba, no dia 27, nomeia hoje uma Comissão Processante, que irá investigar as denúncias de irregularidades na entidade.
A diretoria provisória assumiu a instituição baseada em um mandado judicial de reintegração e citação. A diretoria tem a função de apurar denúncias de irregularidades feitas por um grupo de 12 professores da Apae. As denúncias também estão sendo investigadas pela Procuradoria Geral de Justiça do Paraná. A intervenção deveria ter começado em junho, mas como a presidente da entidade, vereadora Jane Rodrigues (PPB) não entregou a direção, a federação entrou na Justiça para garantir a posse dos interventores.
Segundo Seleme, o problema começou porque o presidente da federação, deputado Flávio Arns, não conseguiu indicar um nome para a chefia de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação. O atual responsável, José Eduardo Amorim, é tesoureiro da Apae Curitiba. O deputado Flávio Arns não se conformou com isto e eles resolveram pegar qualquer motivo para prejudicar a Apae Curitiba, diz Seleme. Prova desta intenção, para ele, é o fato da federação não ter cumprido o estatuto da entidade, que previa que o órgão fosse comunicado previamente da denúncia dos funcionários, dando-lhe prazo para defesa.
Para a coordenadora da Federação das Apaes no Paraná, Maria Lúcia de Almeida Furquim, a intenção é eleger uma Comissão Processante o mais isenta possível, para que não se alegue depois que as investigações foram manipuladas. A Comissão terá três membros, das áreas financeira, pedagógica e administrativa.
Entre as denúncias, está o pagamento parcelado dos salários há quase um ano, não recolhimento do FGTS e INSS há pelo menos dois anos, desvio de função de funcionários, falta de professores especializados e material para trabalhos artesanais. Mas o maior problema, segundo Furquim, era o desrespeito aos funcionários. As denúncias mais contundentes são contra o marido da presidente da Apae, Newton Rodrigues, que exercia o cargo de administrador geral. Ele tinha contato com as cinco unidades da Apae em Curitiba e destratava muito os funcionários, diz Furquim.
Com apenas quatro dias de trabalho frente à Apae Curitiba, a procuradora geral da Federação das Apaes no Paraná, Angelina Carmela Romão Mattar Matiskei, presidente da diretoria interventora, diz que ainda está se colocando a par dos problemas da instituição. Ontem, por exemplo, ela buscava solução para uma folha de pagamento de R$ 230 mil, incluindo os encargos sociais. Mas o nosso grande desafio agora é oxigenar a parte pedagógica das Apaes, diz.





