Comissão tenta evitar confronto urbano
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A Câmara Municipal de Cascavel constituiu uma comissão especial para intermediar o principal conflito urbano do Oeste paranaense, no Jardim Gramado, área nobre no leste da cidade, onde 300 famílias ocupam há dois anos terrenos da empresa Sulbrasileiro Crédito Imobiliário, de Porto Alegre (RS). O clima é de tensão no local. A Polícia Militar (PM) já tem pronto o plano de ação para cumprir ordem judicial de reintegração de posse e as famílias demonstram disposição de resistir ao despejo.
No ano passado, quando a PM tentou cumprir a ordem com apenas cerca de 40 policiais, liderados pessoalmente pelo comandante do 6º BPM, tenente-coronel Ailton Lino da Silva, houve confronto e o pelotão teve que recuar, porque havia o risco evidente de violência. Houve avaliação incorreta do comando, com a utilização de poucos homens enfrentando homens e mulheres armados de paus e pedras. O quadro não é diferente hoje, segundo avaliação do atual comandante, tenente-coronel Amauri de Lima.
Sílvio Gonçalves, 32 anos, um dos líderes das famílias, afirma que elas ocuparam os terrenos por não terem onde morar. Ele garante que os lotes estavam tomados pelo matagal e sem pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Os invasores também enfrentam forte oposição dos antigos moradores do Jardim Gramado, que construíram casas de padrão médio e alto. Estes moradores reclamam que seus imóveis foram desvalorizados com a vizinhança de barracos e surgiram problemas relacionados à segurança. Representantes destes moradores têm reivindicado insistentemente, nos últimos meses, o cumprimento da ordem de reintegração de posse.
Como há indicativos de que isso possa ocorrer a qualquer momento, a Câmara Municipal decidiu tentar intervir, antes que haja um confronto de consequências extremamente graves, segundo o vereador Paulo Beal (PSDB). Ele é autor do pedido para criar a comissão intermediadora, cujos cinco membros serão nomeados hoje pela presidência da Câmara. O vereador Aderbal Mello (PT) disse que o impasse pode ser superado com a oferta de outra área (a empresa Sulbrasileiro já se dispôs a fazê-lo) e construção de casas em sistema de mutirão, com financiamento da Companhia Municipal de Habitação.


