Comissão tem 90 dias para punir estudantes
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segunda-feira, 09 de março de 2009
Mariana Guerin<br> Equipe da Folha 
Londrina - Uma comissão formada por funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL), professores e representantes de alunos terá 90 dias para concluir as investigações e divulgar as punições aos veteranos envolvidos em trotes violentos durante a primeira semana de aula na universidade. A comissão irá apurar denúncias de pisoteamento de estudantes, consumo de bebida alcoólica no campus, abusos e violência física e palavras desrespeitosas contra os ingressantes utilizadas em um site de relacionamentos. As punições vão desde simples advertência até a expulsão do estudante.
No último dia 6, o reitor da UEL, Wilmar Marçal, determinou a criação da comissão como resposta às solicitações da Pró-reitoria de Graduação, que apresentou fotografias, imagens veiculadas na mídia e relatos de agentes da Divisão de Segurança, confirmando o envolvimento de alunos dos cursos de Direito, Agronomia, Psicologia, Relações Públicas e Engenharia Civil, que teriam excedido na comemoração.
Jorge Marão Carnielo Miguel, diretor do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), informou que as denúncias contra os alunos do curso de Engenharia Civil foram retiradas pelo diretor do Centro de Ciências Agrárias (CCA), Hideaki Wilson Takahashi. Em reunião com o reitor, Takahashi afirmou ter se excedido ao acusar os estudantes de comandarem um trote violento. "Eu estava nervoso com a situação dos alunos da Agronomia e, no mesmo momento, os alunos da Engenharia estavam falando alto pelo campus, dentro da programação de recepção deles. Pedi para que fossem para outro lugar e eles me atenderam imediatamente, por isso seria injustiça registrar denúncia. Não cabe abertura de processo contra eles", explicou.
Ele concorda com a confraternização entre veteranos e calouros, "até porque o ingressante também quer trote", mas defende o cuidado dos colegiados. "Sempre nos reunimos com o veteranos para decidir como será a recepção dos dentro da universidade. No entanto, o colegiado não pode interferir no que acontece fora do campus." Takahashi contou que acompanhou os alunos de Agronomia até a cidade universitária, onde encontrou mais de 600 pessoas bebendo às 9 horas da manhã. "Assustei, mas ao meu ver, fora do campus, o aluno é um cidadão comum e tem suas próprias responsabilidades."
Para o diretor do CTU, Jorge Miguel, o trote solidário deveria ser mais valorizado. Na opinião do diretor do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), Anísio Ribas Bueno Neto, "o trote foi uma ação pontual e pessoal de eventuais membros da turma do segundo ano de Direito, que inclusive é formada por excelentes alunos, com foco diferenciado", comentou.
Segundo Bueno Neto, a maioria dos veteranos comandou campanhas de doação de sangue e medula óssea e arrecadação de materiais para entidades carentes. Ainda conforme o diretor, é política do Cesa visitar as salas e alertar os alunos para o comportamento na recepção dos calouros no ano seguinte. Nádina Aparecida Moreno, diretora do Centro de Educação, Comunicação e Artes, é favorável à abertura de sindicância para apurar as denúncias e defende que os responsáveis pelos trotes violentos respondam pelos seus atos."


