Retirar do Lago Igapó 2 todo o entulho que forma o aterro, possibilitando a volta do local à sua forma original, que era de uma várzea com vegetação rasteira e fina lâmina d’água. Esta seria a medida ambiental mais correta para a recuperação e preservação daquela parte do fundo de vale do Ribeirão Cambezinho, de acordo com a comissão especial de professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ontem à tarde, o grupo realizou a primeira reunião de trabalho a pedido da Promotoria do Meio Ambiente de Londrina. A comissão foi formada depois que o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, anunciou a liberação do engenheiro agrônomo, Efraim Rodrigues, do Centro de Ciências Agrárias (CCA) para formar e coordenar a equipe que dará parecer sobre as possibilidades de recuperação do aterro.
A discussão em torno do aterro localizado no Jardim Maringá (área central) começou após a manifestação de alunos de escola de primeiro grau que protestaram contra o projeto de lei do Executivo, aprovado pela Câmara de Vereadores, doando a área para a iniciativa privada. O projeto que prevê a construção de um complexo de lazer no aterro foi sancionado pelo prefeito Antonio Belinati no dia 24 de agosto.
A primeira reunião da comissão contou com a participação de professores dos departamentos de biologia, engenharia civil, geociências e química. A segunda hipótese levantada pela comissão - desde que não haja a vontade política para o desaterramento ou ele se mostre economicamente inviável - seria a de ocupação da área, com um mínimo de intervenção possível, para a montagem de uma infra-estrutura de lazer e recreação pública.
Os professores da UEL confirmam que aquela área faz parte de um fundo de vale e que, portanto, do ponto de vista legal e ambiental, descarta a possibilidade de qualquer tipo de edificação civil. ‘‘O máximo que poderíamos admitir na área - que deve ser recuperada com a diminuição do aterro, alargamento do ribeirões e córregos, e arborização - seria a instalação de equipamentos coletivos de lazer para uso público, como por exemplo campos de futebol, pista de cooper, parque infantil e ciclovia’’, comenta o professor Efraim Rodrigues.
A comissão deve aprovar o documento com estas indicações e com a recomendação de estudos técnicos mais aprofundados - para saber a viabilidade econômica e elaborar o projeto - na próxima semana, e encaminhá-lo em seguida à Promotoria do Meio Ambiente. A promotora Maria Lúcia Reichenbach já se manifestou contrária à execução de obras civis no fundo de vale.

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