As denúncias de violência envolvendo a Polícia Militar estão mobilizando a sociedade civil. Representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da Igreja Católica e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal irão se reunir, amanhã, com o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) tenente-coronel Robenson Máximo Fim para discutir o assunto.
Nos últimos 40 dias, pelo menos cinco casos de violência envolvendo a Polícia Militar foram registrados em Londrina e cidades da região. A advogada Regeane de Oliveira Andreola, integrante do CDH, afirma que a situação chegou a tal ponto que toda a comunidade precisa agir. ‘‘A população está com medo da polícia quando deveria ter nela uma parceira’’, afirma.
As causas desta violência, na opinião da advogada, estão nos baixos salários, na falta de capacitação técnica profissional dos policiais e nas condições de trabalho precárias. Um policial militar que ligou para a Folha e não quis se identificar por medo de represálias do comando da PM, confirmou a violência praticada contra a população.
Ele atribui a siuação ao desgaste físico e mental que os policiais estão vivendo. Baixa remuneração, escalas extras que obrigam os policiais a trabalhar dias seguidos sem folga e a humilhação dentro do quartel, segundo o PM, estão transformando os policiais em verdadeiras bombas-relógio.
‘‘Dormimos pouco, comemos e ganhamos mal, somos humilhados pelo comando e pela população’’, revela. ‘‘Se a escala de trabalho fosse regularizada, 90% da violência praticada por policiais acabaria.’’ O policial reclama ainda da pressão moral exercida pelo comando da PM contra os policiais. ‘‘A situação é revoltante. Se um policial consegue comprar um carro fazendo bicos nos raros dias de folga e com a ajuda da esposa, ele é investigado sob a suspeita de estar roubando’’, diz, ‘‘Mas ninguém investiga os comandantes quando eles compram carros.’’
O policial foi reduzido a uma condição tão humilhante, que nem a população o respeita mais, segundo o PM. ‘‘No quartel não temos nenhum valor. Se reclamamos, falam para nós darmos baixa porque tem muita gente querendo a vaga’’, afirma. ‘‘Na rua, quando a gente passa crianças e adultos chamam a gente de porco.’’

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