Comissão repatria menor brasileira
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quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Valmir Denardin Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaResgateDeputado federal Nilmário Miranda se fez passar por clienteUma adolescente de 16 anos, cuja família mora em Foz do Iguaçu, foi retirada anteontem à noite de um prostíbulo no município de Katuete, no Paraguai, e repatriada ao Brasil pelos deputados federais Nilmário Miranda (PT-MG) e Padre Roque Zimmermann (PT-PR) e o reverendo Romeu Olmar Klich, presidente do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Foz do Iguaçu.
Os dois deputados integram a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal que, desde o início da semana, está na fronteira entre os dois países investigando denúncias de prostituição infantil, tráfico e escravidão de meninas.
F.N. estava em uma boate de Katuete (cidade na margem paraguaia do Lago de Itaipu, a 120 quilômetros de Foz do Iguaçu), junto com outras seis mulheres. Segundo o deputado Miranda, pelo menos quatro das prostitutas eram menores de idade, todas brasileiras. Como não tinham autorização do governo paraguaio para fazer batidas oficialmente nos prostíbulos, os três chegaram ao local disfarçados de clientes.
Ao conversarem com as prostitutas, F.N. pediu ao grupo para ser trazida de volta ao Brasil. Não foi um resgate oficial, mas uma atitude humanitária. Ela disse que queria voltar para casa e resolvemos trazê-la, contou Miranda ontem à Folha. De acordo com ele, a dona da boate, que seria brasileira, e os seguranças da casa não estavam no local - o que facilitou a retirada da menina. O grupo teve apenas que pagar uma dívida de 30 mil guaranis (o equivalente a R$ 15,00) que a adolescente tinha com a casa.
F.N. foi trazida de volta ao Brasil no carro do grupo e ontem à tarde foi entregue à família. Segundo o deputado, ela estava em situação irregular no país vizinho e não possuía nenhum documento. A adolescente, que afirmou estar com sífilis, relatou que foi levada de Foz do Iguaçu para Katuete por outra menina, com a promessa de trabalhar em uma loja. Disse também que não era maltratada e nem sofria ameaças para permanecer no prostíbulo. A mãe da menina é uma pequena comerciante de Foz do Iguaçu.
O episódio de anteontem é o terceiro caso de repatriação de meninas brasileiras prostituídas no Paraguai em que houve a participação do Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu. Desde o ano passado, outras duas menores foram retiradas desses locais e devolvidas a suas famílias.
Os representantes da comissão da Câmara - composta ainda pelos deputados Dalila Figueiredo (PSDB-SP) e Djalma de Almeida Cesar (PMDB-PR) - encerram hoje a visita à fronteira entre Brasil e Paraguai. Os primeiros resultados do trabalho serão apresentados em uma entrevista coletiva, marcada para as 10 horas. A deputada Dalila adiantou que existem centenas de meninas brasileiras se prostituindo em prostíbulos paraguaios.


