Participantes da Comissão de Seguridade Social questionaram, ontem, a 17 Regional de Saúde e a secretaria municipal de Saúde, sobre a real quantidade de novos leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) que serão destinados a Londrina. A comissão apontava que a maioria dos 20 leitos oferecidos à cidade já estaria em funcionamento. A polêmica foi levantada durante encontro realizado na manhã de ontem, na Câmara de Vereadores, na qual os leitos de UTI foram o assunto principal em pauta.
Tanto a regional quanto a secretaria apontaram que o número de vagas novas foi levantado a partir de informações apuradas junto aos próprios hospitais. ''Perguntamos quais seriam as condições reais para ampliar o número de leitos cadastrados ao SUS (Sistema Único de Saúde) a curto prazo e recebemos documentos informando que seriam 20. É claro que houve um ganho na quantidade de vagas'', afirmou o secretário de Saúde, Silvio Fernandes.
Segundo ele, as informações foram apresentadas pela Santa Casa (12 novas vagas), Evangélico (três) e Hospital Universitário (cinco). Ele acrescentou que da quantidade de leitos de UTI existentes na Santa Casa, 80% são utilizados por usuários do SUS. No Evangélico, o percentual chega a 50%.
De acordo com os representantes dos três hospitais, parte desses leitos já estariam em funcionamento. ''Já temos seis leitos atendendo desde o início do ano e teremos mais seis cadastrados dentro das próximas semanas. O que fizemos foi adiantar o funcionamento destas vagas'', argumentou o superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad.
Para o diretor-geral do Evangélico, Antônio Carlos Gonçalo de Assis Ribeiro, ''o atendimento não muda na prática'' com a implementação de mais três leitos, mas garantirá fôlego para novos investimentos. ''A diferença é que receberemos do SUS pelo uso dos leitos já em funcionamento. Isso vai dar um alívio para que possamos ampliar a capacidade instalada do hospital'', justificou.
Sobre nem todos leitos serem utilizados por usuários do SUS, Fahd e Ribeiro disseram que não podem escolher os pacientes que ocuparão os leitos. ''Leito ofertado é leito utilizado'', ressaltou o diretor do Evangélico.
Para o chefe da Regional de Saúde, Gilberto Martin, a principal diferença é que os 20 leitos seriam agora destinados especificamente ao SUS. ''Sabemos que as novas vagas não resolverão o atendimento porque Londrina é pólo de, no mínimo, 100 municípios e atende 1,5 milhão de pessoas'', disse. Ele ressaltou ainda que, além dos 122 leitos autorizados para credenciamento dentro das próximas semanas em todo o Paraná, o governo do Estado deve bancar a implantação de outros 50 leitos, sendo sete já neste primeiro momento.
''A intenção é estruturar hospitais da região e descentralizar parte do atendimento. Ibiporã, por exemplo, ganharia leitos de UTI e se tornaria pólo de seis municípios. A previsão é implementar isso no final do semestre'', afirmou Martin. (Colaborou Gilmar Agassi)

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