Comissão quer psicólogo em escolas
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quarta-feira, 25 de março de 1998
Benê Bianchi 
Mário CésarPropostaEliane e Ivanylce: em defesa do psicólogo nas escolas municipaisA rede municipal de ensino precisa de psicólogos escolares. Quem diz é uma comissão do Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região, sediado em Londrina, que concluiu pesquisa nas escolas da Cidade. O trabalho se chama Levantamento de necessidades nas escolas municipais de Londrina, será agora apresentado no 4º Congresso Nacional de Psicologia Escolar, de 2 a 7 de abril, em João Pessoa (PB), e depois levado às autoridades locais da área.
Coordenada pela psicóloga Eliane Marçal Gaeti e auxiliada por Ivanylce Villas-Bôas Buzolin, a pesquisa foi realizada em 32 das 63 escolas municipais da cidade, durante três meses. Oito psicólogos trabalharam no levantamento de informações, com 150 profissionais abordados (entre diretores, supervisores e professores).
Queríamos conhecer se as escolas comportam este tipo de profissional, como determina a Lei Municipal 6.951, de janeiro de 97, e concluímos que é de extrema importância que psicólogos atuem em conjunto com a equipe de profissionais já existentes na rede, comenta Eliane Marçal.
De acordo com a pesquisa, 94,8% dos educadores demonstraram a necessidade de apoio de especialistas nas escolas. Também foi detectado que os entrevistados apresentam dificuldades relacionadas à participação (75%) e comparecimento (68,5%) dos pais à escola e na vida escolar de seus filhos; 63,4% detectam as dificuldades de aprendizagem dos alunos; 51,9% têm dificuldades de trabalhar a disciplina junto aos alunos; e 51,2% têm dificuldades em trabalhar temas não pedagógicos com os estudantes.
São questões que exigem a atuação do psicólogo, observa Eliane Marçal. Ela dá como exemplo um caso em que foi chamada para auxiliar o trabalho de uma escola. Os professores haviam separado 15 alunos de 1ª e 2ª série com dificuldades de aprendizagem para avaliação. Possivelmente, eles seriam encaminhados para sala especial. Após dois meses de trabalho, sete deles retornaram às suas salas de origem. Três meses depois, os demais também retornaram. Nenhum era caso para sala especial. Eram crianças carentes e sem estímulo, em casa, para o estudo.
Ivanylce Buzolin explica que o psicólogo escolar também tem, entre suas tarefas, que organizar ou preparar palestras sobre temas questionados pelos alunos e que os professores têm dificuldades para abordar. No nosso trabalho, muitos dos professores disseram que não se sentem preparados para enfrentar assuntos polêmicos trazidos pelos estudantes para dentro das salas de aula. Eles alegam não ter tempo de ver TV ou ler jornal, não conseguem fazer cursos. Nós podemos auxiliá-los preparando palestras ou convidando pessoas da área em questão para ministrar palestras, comenta Ivanylce.
Segundo as psicólogas, o ideal é que seja contratado um profissional para atuar em cada escola. Mas, diante da dificuldade financeira da Prefeitura, elas dizem que é possível trabalhar com um psicólogo para cada quatro escolas. Ivanylce avalia: Não é o ideal. Mas já ajudaria a melhorar a qualidade do ensino em até 70%.
A pesquisa será levada por Eliane Marçal para o 4º Congresso Nacional de Psicologia e, depois será publicado como um dos capítulos do livro do evento.
Quando retornar do Congresso, Eliane e equipe levarão o resultado completo da pesquisa ao prefeito Antônio Belinati (PDT); ao secretário de Educação, Dorival Peres; à Universidade Estadual de Londrina (UEL) e ao Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon), que mantêm o ensino de Psicologia.


