Comissão quer normatizar a distribuição de cadáveres
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de janeiro de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
Representantes de 15 universidades públicas e privadas do Estado estão formando uma comissão para normatizar a doação de cadáveres para estudo e pesquisa. A Comissão Provisória de Distribuição de Cadáveres para Ensino e Pesquisa vai evitar que cadáveres sejam doados sem critérios, como aconteceu com o Insituto Médico-Legal (IML) de Cascavel na doação de corpos para a Universidade Paranaense (Unipar), de Umuarama. A iniciativa terá apoio do Ministério Público, igrejas e Sociedade Brasileira de Anatomia.
A intenção da comissão é conseguir junto ao Legislativo uma lei que obrige os IMLs a informarem todos os cadáveres não reclamados num prazo de 30 dias para que a distribuição seja feita ordenadamente e respeitando as necessidades de cada universidade. A comissão já preparou uma planilha para definir quais instituições estão mais necessitadas em receber os corpos.
A professora da disciplina de anatomia do curso de medicina da Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste), Josiane Medeiros de Mello, disse que todas as instituições que necessitarem de cadáveres para o ensino poderão receber os corpos mesmo que não faça parte da comissão. Ela afirma que de acordo com a planilha a Unioeste está em sétimo lugar. Nós temos muitas dificuldades para conseguir os corpos, mas outras estão em situação crítica, considerou.
Josiane explicou que um dos principais objetivos da comissão é promover uma campanha para a doação de corpos em todo o Estado, que deverá ter início nas salas de aulas. Para o voluntário doar o corpo é necessário registro em cartório e um exame de sanidade mental. A Unioeste já recebeu a proposta de uma doação. Essa pessoa que nos procurou tem 23 anos, não possui qualquer tipo de doença, porém considera um gesto nobre a doação de seu corpo, ressaltou a professora.
Para Josiane, se uma lei estadual nesse sentido for aprovada é bem provável que acabem os problemas com a falta de cadáveres em instituições de ensino. Nossa intenção é que a demanda de corpos fique maior que a necessidade das universidades e que a distribuição seja feita de forma justa.


