Comissão quer autonomia para UEL
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quarta-feira, 09 de março de 2016
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local 
Curitiba Uma comissão de deputados estaduais vai entregar ao governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), na semana que vem, ofício solicitando que a Universidade Estadual de Londrina (UEL) tenha autonomia para nomear concursados preenchendo as vagas já existentes que estão em aberto na instituição. Boa parte desses cargos estão desocupados por conta de aposentadorias. Essas nomeações são feitas, hoje, pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) por meio de um processo bastante lento e burocrático, fazendo com que a reposição de qualquer cargo, de técnico a docente, demore entre um ano a três anos para ser preenchido. A lentidão desse processo foi apontada como uma das principais causas da crise que atravessa o Hospital Universitário (HU) de Londrina, pois impacta diretamente no quadro de funcionários. Os problemas de sobrevivência do maior hospital terciário público do interior do Paraná foram tema de uma audiência pública realizada ontem, pela manhã, na Assembleia Legislativa (AL), em Curitiba.
Organizada pelo deputado Tercílio Turini (PPS), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, a audiência pública foi realizada em conjunto com a Comissão de Saúde Pública, presidida pelo Dr. Batista (PMN). Participaram do encontro deputados membros das comissões, a reitora da UEL, Berenice Jordão; a superintendente do HU, Elizabeth Ursi; o titular da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares; o presidente da Assuel, sindicato que representa os funcionários da UEL, Marcelo Seabra; os vereadores londrinenses Lenir de Assis (PT) e Gustavo Richa (PSDB); além de funcionários do HU de Londrina. Representando o governo estadual estavam os diretores gerais da Secretaria de Estado da Saúde, Sezifredo Paz, e da Seti, Décio Sperandio.
Berenice Jordão e Elizabeth Ursi colocaram a difícil situação do HU, que pode fechar leitos caso 92 concursados não sejam nomeados nas próximas semanas. A vacância de vagas, a necessidade de reformas em alas fundamentais do hospital e a a falta de uma política sistemática de repasse de verba por parte do Estado são os principais problemas apontados. A reitora ressaltou que de hoje até 2019, cerca de 1.500 servidores da UEL devem se aposentar, sendo 443 técnicos do HU.
Atualmente o hospital dispõe de 2.174 postos de trabalho, dos quais 338 estão desocupados entre oito e nove vagas são abertas mensalmente. "Trinta e oito por cento dos cargos podem estar em vacância em 2019", alertou a superintendente. Para se ter uma ideia da dificuldade, 34% do quadro de enfermeiro precisa de reposição, assim como 21% das vagas para médico estão abertas. A situação é semelhante entre os auxiliares de enfermagem, nutricionistas, agentes operacionais, entre outros.
Elizabeth Ursi lembrou que como são cargos ligados diretamente a prestação de serviço, a direção do HU precisou contratar profissionais terceirizados para desempenhar o trabalho. A medida impactou diretamente no orçamento do hospital, pois representa uma despesa mensal de R$ 400 mil. Enquanto a folha de pagamento do HU é responsabilidade do governo estadual, o pagamento dos terceirizados sai do caixa do hospital. "Com esse quadro que temos hoje de grande defasagem, nós tivemos que fazer contratações para tampar esses espaços. Só que isso comprometeu o financeiro", justificou.
PORTAS ABERTAS
Quanto às dificuldades financeiras, a superintendente também destacou a dívida que o município de Londrina tem com o HU. Segundo ela, a prefeitura deve R$ 6 milhões ao hospital referente às parcelas em atraso dos 10% que o município retém dos pagamentos contratuais até verificar se foram cumpridas as metas quantitativas e qualitativas do acordo. Além disso, se fosse cobrar os atendimentos e internações realizados a mais do que os acertados no contrato fechado com o município em 2010, seria preciso acrescentar mais R$ 17 milhões à dívida.
A superintendente explicou que enquanto a previsão de receita do HU para 2016 fica em R$ 47 milhões, a despesas deverão ficar, no mínimo, em R$ 58 milhões. Os recursos vêm, principalmente, do Estado, da prefeitura de Londrina e do SUS. A renovação do contrato com o município será discutida em abril.
"Nós também temos uma necessidade gigante de investimento para adequar a estrutura física do hospital", disse Elizabeth. E ressaltou: "Precisamos de espaço físico e servidores para atender de forma mais digna os pacientes". O hospital é o único portas abertas terciário da 17ª Regional de Saúde, atendendo 100% dos pacientes pelo SUS. Também é o único de alta complexidade com pronto-socorro para queimados e obstétrico. Diariamente, atende acima da capacidade.
Décio Sperandio e Sezifredo Paz reconheceram as dificuldades do hospital, mas saíram da reunião sem oferecer uma resposta objetiva às reivindicações. Sezifredo lembrou que a Sesa tem feito investimentos em infraestrutura nas universidades estaduais e que a liberação de verba obedece uma análise caso a caso. Ele acenou com a possibilidade de a licitação para reforma e ampliação do PS sair ainda este ano. Os projetos arquitetônicos serão entregues na semana que vem e ainda não há previsão do custo. Já o contrato para reforma do setor de terapia intensiva aguarda liberação da Sesa e vai custar R$ 3,6 milhões.


