Comissão quer agilizar julgamento no Paraguai
Um encontro realizado ontem em Curitiba entre representantes de diversas instituições que trabalham com a questão dos Direitos Humanos pretende mudar a sorte da secretária brasileira Rosimeire Ferreira, presa há cerca de dois anos e meio por tráfico de drogas, na cidade paraguaia de Assunção. A reunião contou com a presença do coordenador do Centro de Direitos Humanos de Londrina, Carlos Roberto Scalassara; do integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal e da Comissão Interamericana da Organização dos Estados Americanos (OEA), Hélio Bicudo, e do representante da Anistia Internacional, James Cavallaro, que realizaram um protesto pelo fato de a brasileira estar presa todo esse tempo sem ter sido julgada.
Segundo Carlos Roberto Scalassara, a culpa pelo atraso no julgamento é da própria Justiça brasileira, que não vem respondendo aos pedidos das autoridades paraguaias. Logo que Rosimeire foi presa o juiz paraguaio enviou uma carta precatória ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que testemunhas fossem ouvidas e as provas enviadas para lá, mas até hoje nada foi feito.
Há cerca de 30 dias, de acordo com Scalassara, o juiz ameaçou julgar o processo sem ouvir a defesa da brasileira, o que fez com que a comunidade de Londrina, cidade em que morava Rosimeire, reunisse recursos para enviar duas testemunhas para depor no Paraguai. O juiz da Justiça do Trabalho Reginaldo Melhado e o deputado federal Nedson Micheleti foram testemunhar que os antecedentes da garota são ótimos, disse Scalassara.
Ele espera que o depoimento dessas duas testemunhas agilize o processo. As outras seis testemunhas vão depor nos dias 21 e 22 de setembro em Assunção, mas o envio de provas para a Justiça do Paraguai tem que ser via carta precatória, que o STF só deve enviar se for pressionado pela comunidade, disse.
Prisão - A secretária Rosimeire foi presa no Paraguai ao tentar embarcar em um avião com cerca de quatro quilos de cocaína presos ao corpo. Ela alega ter sido obrigada por traficantes a realizar a tentativa frustrada. Segundo o irmão de Rosimeire, o advogado Jorge Custódio Ferreira, a secretária nunca havia viajado ao Paraguai, e era conhecida pela comunidade jurídica por ter trabalhado como secretária de vários advogados que atuam em Londrina. Jorge contou que Rosimeire foi atraída para o tráfico através de um anúncio de jornal, que prometia R$ 2,5 mil para secretárias acompanharem executivos em viagens de negócios para a Europa.
Depois de um encontro com um casal, todos foram de ônibus para Ponta Porã, local em que a moça foi ameaçada de morte caso se negasse a transportar drogas para os traficantes. Sempre seguida de perto, segundo o irmão, Rosimeire foi de ônibus até Assunção, localidade em que foi obrigada fixar cocaína no prórpio corpo utilizando fitas adesivas. Ao se dirigir ao aeroporto da capital paraguaia, Rosimeire acabou presa. A família suspeita que a garota foi utilizada para chamar a atenção dos policiais, enquanto uma quantidade maior de droga era embarcada no aeroporto.Mauro FrassonCríticaFerreira (à esq.), irmão de Rosimeire (no detalhe), e Scalassara: STF não cumpre sua parteJulgamento de brasileira presa em Assunção há mais de dois anos
estaria sendo prejudicado por morosidade da Justiça no Brasil
Juiz paraguaio
ameaça julgar
Rosimeire sem
ouvir sua defesa





