O médico José Jerds Soares, membro da comissão que administra e fiscaliza o Fundo da Previdência, não descarta a possibilidade de abertura de inquérito para apurar desvios de verba. ‘‘Prefeito algum tem poderes de usar recursos que por força da lei pertencem aos servidores’’, declara Soares.
Segundo ele, o prefeito só poderia utilizar esses recursos com a autorização da Comissão e da Câmara de Vereadores, o que ele garante não ter acontecido.
A funcionária Ivete Pereira, membro da comissão responsável pelo Fundo da Previdência, disse que nunca teve acesso às contas e que nem foi informada dos valores que a prefeitura deveria ter repassado aos aposentados.
O ex-prefeito Paulo Honda disse à Folha que foi obrigado a centralizar todos os pagamentos e que até enviou ofício aos fornecedores anunciando que apenas ele, prefeito, poderia comprar ou pagar na prefeitura.
CredoresA tesoureira Ana Maria Trombini, que trabalha na prefeitura há 23 anos, conta que chegou a discutir com Honda sobre as prioridades orçamentárias. ‘‘Eram muitos credores, mas ele preferia pagar os que vinham cobrar na prefeitura, a maioria fornecedores de outras prefeituras e prestadores de serviços.’’
Para a tesoureira, parte do problema atual poderia ter sido evitado. ‘‘Eu não tinha autonomia para pagar sem que ele mandasse e os funcionários, os fornecedores locais e aposentados estão até hoje sem receber’’, revelou.
O atual prefeito, Mário Forestieri, assumiu o município com cerca de R$ 1 milhão de dívidas e está tentando amenizar o problema.
Para tentar pagar uma parte do salário dos funcionários, Forestieri está lançando a campanha ‘‘IPTU da Sorte’’, premiando quem pagar o imposto à vista. Em toda a cidade, existem 1.200 imóveis, que deverão contribuir com R$ 100 mil. A folha de pagamento atrasada já chega a R$ 270 mil.

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