As constantes transferências de delegados em Londrina tem motivado reações de descontentamento na comunidade. A gota d'água foi a notícia sobre a transferência do delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Luiz Barroso. Ontem, vereadores integrantes da Comissão de Segurança da Câmara Municipal se reuniram com o delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André, para tentarem reverter a ida de Barroso para a Delegacia de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Naquele município, a comunidade também se manifestou contrária à saída do delegado Valdir Abrahão, que deverá assumir a Delegacia de Cambé (13 km a oeste de Londrina).
O presidente da Comissão de Segurança, Jamil Janene (PDT), foi taxativo: ''Londrina está esquecida. Nós não podemos perder mais nada, precisamos sim é melhorar a estrutura das polícias''. Segundo Janene, que esteve acompanhado na reunião pelos vereadores João Dib Abussafi (PMDB) e Paulo Arildo (PSDB), dos 12 delegados que foram transferidos para Londrina desde o ano passado, nove já teriam sido removidos para outros municípios e Barroso seria o décimo.
A comissão votou e encaminhou ontem um requerimento ao governador Roberto Requião (PMDB); ao secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari; e ao delegado-chefe da Polícia Civil, Jorge Azôr Pinto, solicitando a permanência de Barroso em Londrina. Caso a medida não surta efeito, Janene disse que os vereadores irão à Curitiba discutir pessoalmente o assunto.
O delegado-chefe confirmou que boa parte dos delegados removidos para Londrina acabaram assumindo delegacias em suas cidades de origem e outros tiveram que suprir deficiências em cidades paranaenses. Ele citou como exemplo positivo a remoção do delegado Fátimo Siqueira do 2º Distrito Policial para a comarca de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), que estava sem titular há vários meses. André lembrou que as portarias já estão em vigor deste anteontem e que uma revisão das medidas caberia à cúpula da Polícia Civil no Estado.
A assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que o estatuto da Polícia Civil prevê o rodízio de policiais e que os remanejamentos ocorreram em Londrina por questões administrativas. Por enquanto, a Sesp não cogita rever as transferências.
Em um ano e quatro meses trabalhando em Londrina, Barroso já atuou em casos importantes. Em sua última investigação, que está em curso, ele conseguiu identificar uma quadrilha que arrombou e furtou apartamentos de luxo no mês de fevereiro e que teria ramificações em outros Estados. Ontem, o delegado declarou que, como funcionário público, deve acatar as determinações e agradeceu as manifestações de apoio, ''por ser um sinal de reconhecimento do trabalho prestado''. Barroso já assinou a portaria e tem até a próxima quarta-feira para assumir o posto de delegado em Arapongas.

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