Estão parados os trabalhos da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Vereadores que investiga possíveis irregulares na construção de dez casas de fibrocimento na zona norte. O motivo é que membros da CEI não conseguem contato com o proprietário da construtora Grande Piso, Roberto Sass. A empresa é de Foz do Iguaçu.
A construção das casas faz parte de um projeto-piloto desenvolvido em conjunto com a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), que cedeu o terreno, no conjunto Ilda Mandarino. A CEI resolveu entrar em contato com Roberto Sass diante da denúncia do advogado da construtora, Marco Antonio Campanelli.
O advogado afirmou, durante reunião da CEI realizada di 20, que um documento apresentado pela diretoria da Cohab conteria fraude na logomarca da Grande Piso e assinatura falsificada de seu proprietário. Este documento, datado de 13 de fevereiro, afirma que as casas seriam erguidas sem qualquer custo para a Cohab, mas o advogado da Grande Piso nega este acordo. O documento contém a assinatura do então presidente da Cohab, José Caetano Perri.
Para esclarecer a questão, a CEI enviou, no dia 22 deste mês, um ofício para a Grande Piso, convocando Roberto Sass para prestar depoimento nesta semana. A correspondência voltou anteontem para a Câmara com a alegação da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) de que o número da rua é inexistente.
O presidente da CEI, o vereador Jaci Aguiar (PDT), afirma que o endereço da construtora foi fornecido pelo construtor e pela Cohab. ‘‘Os trabalhos estão parados até que consigamos notificar o construtor’’, afirma. Segundo o vereador, na segunda-feira se discutirá como notificar o construtor. Não existe previsão de quando a comissão encerrará seus trabalhos.
A CEI foi formada no final de março e, a princípio, questionava a falta de um laudo que atestasse a qualidade das casas, de cerca de 40 metros quadrados cada uma. A comissão pediu laudos ao Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina e ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, mas entendeu que os pareceres não foram conclusivos. Como novos estudos sairiam muito caros, a CEI resolveu descartar a possibilidade.
Durante as investigações, José Caetano Perri pediu demissão da Cohab, alegando compromissos particulares e recomendação médica. Wilson Mandelli assumiu a presidência. Recentemente, as casas de fibrocimento foram invadidas por sem-teto, que conseguiram ficar alojadas só um dia. Elas foram retiradas por liminar de reintegração de posse.

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