Comissão ouvirá os vereadores, de novo
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segunda-feira, 08 de junho de 1998
Osmani Costa 
Josoé de CarvalhoTurini: Temos
divergências sobre
partes do relatório
do promotor A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Londrina, que investiga o possível envolvimento de vereadores com as 212 contratações irregulares realizadas no ano passado pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), reuniu-se na tarde de ontem para terminar a análise do relatório final sobre o caso, enviado à Casa em abril pelo promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti.
Com base em estudos e apontamentos feitos pela assessoria jurídica da Câmara sobre o relatório, a CEI decidiu ouvir novamente os cinco vereadores citados no documento da Promotoria, além de convocar também para depoimento o vereador Flávio Vedoato (PTB) e o seu assessor Antonio Aguilhera Gonçalves Filho, antes de divulgar o relatório final e as providências que serão tomadas.
Os vereadores acusados pela Promotoria de terem sido beneficiados ou terem implicações com as contratações irregulares são Carlos Kita (PTB), Célio Guergoletto (PMDB), Jorge Scaff (PDT) e Orlando Soares Bonilha Proença (PDT); além do ex-vereador Jaci Aguiar (PDT), que é suplente e exerceu o mandato até o final de março. O relatório do promotor é complexo. Temos divergências de entendimento, de interpretação sobre partes dele. Por isto, a comissão resolveu ouvir outra vez os vereadores envolvidos, afirma o presidente da CEI, Tercílio Turini (PSDB).
Apesar de não ter sido citado pelo relatório da Promotoria, o vereador Flávio Vedoato será convocado a depor na CEI porque o seu assessor, Antonio Gonçalves Filho, admitiu em depoimento ao promotor que fora responsável pela contratação de três funcionários fantasmas - que recebiam sem trabalhar - junto à Comurb.
As 212 contratações irregulares - sem a realização de concurso público - aconteceram no início do ano passado, mas só foram divulgadas depois de descobertas pela imprensa, em abril de 97. O caso está sendo investigado ainda em ação civil pública pelo juiz da 10ª Vara Cível, Mário Nini Azzolini. Nela, são acusados dois atuais diretores e o ex-presidente da Comurb, Cléber Tóffoli.
Os depoimentos das sete pessoas envolvidas - cinco vereadores, um suplente e um assessor parlamentar - junto à CEI terão início na próxima semana. Na sessão de ontem, o vereador Célio Guergoletto discursou dizendo-se prejudicado pela acusação contra ele e solicitando de Turini a divulgação do parecer da assessoria jurídica da Câmara que, segundo ele, o inocenta juntamente com outros dois vereadores: Carlos Kita e Jorge Scaff.
Tercílio Turini garante que não existe qualquer parecer da assessoria jurídica e que o pedido de Guergoletto não pode ser atendido. O que temos são indicações, apontamentos de caminhos feitos pela assessoria. Este tipo de afirmação do vereador Guergoletto em vez de ajudar atrapalha os trabalhos da CEI, que em muitos momentos são sigilosos. Só depois de ouvidas todas as partes e tiradas todas as dúvidas, é que divulgaremos o resultado final das investigações.


