Walter Ogama
De Londrina
A comissão mista formada por representantes de Londrina e de Brasília que está em Assunção, no Paraguai, tenta hoje negociar uma forma de remover a londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa na Penitenciária Correcional de Mulheres Bom Pastor acusada de tráfico de drogas, para o Brasil.
Integrada pelo representante do Centro de Direitos Humanos (CDH) em Londrina, advogado Carlos Scalassara, advogado e irmãos de Rosemary, Jorge Custódio, vereador Carlos Kita (PTB), secretária Especial da Mulher, Dora Barnabé, deputado federal Padre Roque (PT) e representante do Ministério do Interior, Ronaldo Dunlop, a comissão teve ontem um encontro com o Comitê de Igrejas Para Ajuda de Emergências (CIPAE). Com a secretária da organização não-governamental Cristina Vila, os londrinenses e os representantes de Brasília conversaram sobre o caso de Rosemary e sobre outros temas que envolvem brasileiros no Paraguai.
À tarde, a comissão participou de reunião com o cônsul do Brasil em Assunção, Joaquim Palmeiro, e teve a oportunidade de analisar o processo no qual Rosemary é acusada de tráfico de drogas. Segundo o cônsul, a Justiça paraguaia deverá proferir sentença sobre o caso até o final deste mês. Hoje, a comissão tem reunião com o embaixador do Brasil, Bernardo Pericás Neto, e em seguida faz uma visita à Rosemary na Penitenciária Correcional.
O drama de Rosemary Garcia Ferreira começou no dia 29 de abril de 1996, na verdade ainda como um sonho: o de conseguir um emprego no exterior. Mãe de duas crianças, Rosemary havia se separado recentemente do marido e trabalhava através de uma agência de emprego temporário em Londrina. Era uma segunda-feira quando a londrinense respondeu a um anúncio de emprego que oferecia oportunidade para pessoas interessadas em desfilar como modelo na Europa, em recintos de negócios frequentados por empresários.
Na época com 25 anos de idade, Rosemary foi atendida em um restaurante da cidade por um casal de Ponta Porã (MS) que teria selecionado a londrinense para a vaga. Por volta das 17 horas daquela mesma segunda-feira, Rosemary voltou para casa e disse à mãe, que morava na casa vizinha, na zona norte da cidade, que viajaria à noite. Por um período de 10 dias, ela havia recebido a promessa de ganhar US$ 2.500,00. Por volta das 20 horas, um táxi apareceu na casa da londrinense e a levou. Foi o último contato da família com Rosemary.
Ela teria sido levada para Ponta Porã, de onde fez, nos dias seguintes, 16 ligações para a mãe, dona Edite, para quem relatava que estaria na residência do casal que a havia entrevistado em Londrina, cercada de muito conforto e luxo. O último contato telefônico de dona Edite com a filha foi na sexta-feira daquela mesma semana. O ex-marido de Rosemary chegou a conversar com ela por cerca de meia hora, pedindo que desistisse da viagem para a Europa, conforme prometia o casal de Ponta Porã.
No sábado, Rosemary foi presa no aeroporto Silvio Petirossi, em Assunção, no Paraguai, com 4 quilos de cocaina presos ao corpo com fita adesiva e tentando embarcar para Madri e Bruxelas. A londrinense teria sido usada como ‘‘mula’’ pelo narcotráfico internacional – pessoas que são pagas ou forçadas a transportar drogas em locais de fiscalização, para desviar a atenção da polícia.

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