Em uma sessão marcada por tensão, vaias e aplausos, os presidentes das duas organizações não-governamentais (ONGs) Acal e Canaã que controlam o Shopping Popular prestaram contas ontem na Câmara de Vereadores. As explicações, entretanto, não convenceram o presidente da Comissão de Finanças da casa, o vereador Rubens Canizares (PHS) que enviou para votação a formação de uma comissão para investigar as contas a fundo. No final da noite, a formação da comissão foi aprovada.
As dúvidas sobre a sanidade financeira do Shopping iniciaram após o corte do fornecimento de energia elétrica do prédio, no mês passado. Junto a isso, surgiram dúvidas sobre comercialização de novos boxes e na aplicação dos recursos obtidos, cerca de R$60 mil.
Segundo o vereador, há discrepâncias entre a prestação nas contas do condomínio, administrado pelas duas associações, e questões polêmicas como a comercialização de 11 boxes excedentes do projeto original, que renderam R$ 60 mil, e na terceirização da praça de alimentação que precisam ser esclarecidas.
Durante o debate, basicamente restrito entre Canizares e o presidente da ONG Cannã, Ulisses Sabino, e encerrado antes que todos os vereadores argumentassem, as ONGs apresentaram uma lista de benfeitorias realizadas com a renda obtida pela venda das boxes excedentes. Segundo a lista, foram construídas uma rampa, elevação de boxes e sistema de som, contabilizando R$ 25 mil. Outra parte do dinheiro foi depositada nas contas da duas associações.
Já a praça de alimentação, segundo Sabino, foi construída e é comercializada pela iniciativa privada. ''Não tínhamos condições de construir e passamos para um terceiro com a aprovação da CMTU. Ali ninguém paga aluguel'', disse. Segundo ele, o valor pago pelos comerciantes refere-se as benfeitorias realizadas.
''É no mínimo estranha essa negociação. Queria saber como foram escolhidas as pessoas que compraram esses boxes já que há gente que fala que comprou por R$5 mil, outros por R$ 7 mil e R$10 mil, e também como foi escolhido o empresário que fez essa praça de alimentação em um espaço que o município é que paga'', rebateu o vereador.
O presidente da Canaã saiu da reunião reclamando que o caso ganhou contornos políticos. ''Quando o município dá um incentivo a uma empresa, não vai lá depois verificar os problemas internos dela. Nossos problemas internos são do condomínio'', afirmou.
Atualmente, o município arca com R$33 mil mensais com o aluguel do prédio. Tramita na Câmara um projeto de lei para suplementar o convênio em mais R$42 mil para este exercício. A diferença está relacionada com o aumento do aluguel, previsto em contrato, que passou a custar R$36,4 mil.

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