Comissão federal avalia crise de leitos
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quarta-feira, 22 de janeiro de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
Edson GuittiCaosDeolinda de Paula, 76 anos, (à dir.): com pneumonia, à espera de vaga pelo SUS há dois dias. Caos na saúde de Maringá desperta atenção nacional Uma comissão formada por técnicos do Ministério da Saúde chega hoje em Maringá para avaliar a crise de leitos de terapia intensiva pelo SUS nos hospitais particulares da cidade. O secretário interino de Saúde do Estado, Luciano Ducci, também deveria chegar ontem à noite para uma reunião com o secretário municipal de Saúde e diretores do Hospital Universitário (HU).
A comissão e o secretário estadual de Saúde pretendem discutir o caos da saúde pública em Maringá. Também devem participar da reunião o ouvidor-geral de saúde no Estado, Mateus Chomata, representantes da Federação dos Hospitais, da Promotoria Pública e do Conselho Regional de Medicina.
Só este ano, três pessoas morreram no HU enquanto aguardavam vagas do SUS para internamento em UTIs. A morte de Dorival Antonio Galo, 43 anos, anteontem à tarde, teve repercussão nacional, mobilizando as autoridades estaduais e federais. Galo morreu no HU, à espera de vaga de UTI pelo SUS. Além dele, quatro pacientes em estado grave também aguardavam vagas na tarde de anteontem.
Dois pacientes em estado grave, internados no HU desde o último dia 19, continuavam aguardando vagas de terapia intensiva, ontem à tarde. Deolinda de Paula Teixeira, 76 anos, está com pneumonia e insuficiência respiratória. Mário Piva, 61 anos, tem problemas pulmonares.
Só este ano, três
pacientes morreram
por falta de leitos
conveniados pelo SUS
A Folha apurou, ontem à tarde, que Ducci participou de uma reunião com o governador Jaime Lerner e outras autoridades do setor para discutir o problema de Maringá. Anteontem, o diretor superintendente do HU, Esmeraldo Costa Filho, chegou a fazer um apelo para que as autoridades do setor se sensibilizassem com a crise.
O HU é o único hospital público de Maringá e atende pacientes de aproximadamente 30 municípios da região. Em média, o hospital atende 200 pacientes por dia. Além da demanda excessiva, o HU não tem UTI e se limita a fazer o encaminhamento dos pacientes graves aos hospitais da cidade.
O problema é que a maioria dos hospitais particulares reduziu o número de leitos de UTI pelo SUS. A população carente que não tem condições de pagar o tratamento particular fica dias esperando vagas no HU. Alguns não resistem à espera. Na reunião com Ducci e com os técnicos do Ministério da Saúde, Costa Filho pretende insistir no repasse de verbas para a construção de UTIs no HU.


