O impasse criado devido a destinação de uma mesma área - Fazenda Piquiri - para reassentar famílias de lavradores que terão terras alagadas pela barragem de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, e para a construção do novo aeroporto de Cascavel, foi discutido em reunião na tarde de ontem na prefeitura de Cascavel. De início, os diálogos chegaram a ser ríspidos, mas ao final foi decidida a constituição de uma comissão para avaliar alternativas de localização do aeroporto.
Participaram da reunião o prefeito Salazar Barreiros (PPB), representantes das 235 famílias que serão reassentadas, da Coordenadoria de Impacto Ambiental da Copel, das Promotorias do Meio Ambiente do Paraná e o deputado Nereu Moura (PMDB). Agricultores e Copel ratificaram, na reunião, que não sabiam da intenção do município de construir o aeroporto na fazenda.
A fazenda tem 2.73 mil hectares, adquiridos pela Copel por R$ 20 milhões, e dela o município quer 190 hectares para a obra, cumprindo decreto de 91, da primeira gestão de Salazar Barreiros, e outro, com o mesmo sentido, de 96, do ex-prefeito Fidelcino Tolentino (PMDB). Segundo Salazar, os decreto foram publicados ‘‘e ninguém pode alegar ignorância’’. A Copel, porém, não teve conhecimento destes documentos e a prefeitura não alertou para o fato, embora Tolentino tenha participado de várias reuniões, inclusive com os agricultores.
José Camilo, coordenador da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), enfatizou que as famílias ‘‘não são contra a obra, mas têm o direito sagrado, e legal, decorrente de acordo com a Copel, de não aceitar conviver com um aeroporto’’. Margarete Nunes, também da Crabi, acrescentou que as famílias deverão ser reassentadas em bloco, para que ‘‘mantenham laços afetivos e culturais’’. A Crabi inicialmente não aceitou discutir a manutenção do projeto do aeroporto na fazenda e apresentou como única alternativa a oferta de outra área pela Copel para o reassentamento. O promotor Sanclair Santos defendeu ‘‘o diálogo, para superar o impasse’’. Antonio Fonseca dos Santos anunciou que a Copel está disposta a participar diretamente da busca de outra área para o aeroporto e acenou até mesmo com a possibilidade de bancar os estudos técnicos. Salazar Barreiros frisou que o projeto existente ‘‘é de dez anos, e não se muda assim tão facilmente’’, mas não chegou a recusar a oferta. Ao final, decidiu-se pela formação de uma comissão para discutir o assunto, composta por representantes de todas as partes.

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