O destino das 1.300 toneladas de lixo tóxico estocados há quase dez anos na Colônia Penal Agrícola de Tamarana (60 km ao sul de Londrina) poderá ser um aterro químico. Essa é a solução apontada pela comissão multidisciplinar responsável por analisar o caso.
Segundo a presidente da Autarquia do Esporte, Turismo e Meio Ambiente de Tamarana, Maria Zanata, que faz parte da comissão, o aterro é a forma mais indicada para solucionar o problema. ‘‘É a solução mais barata’’, disse. Entretanto, Maria Zanata disse que não foram feitos levantamentos de custos.
Maria Zanata informou que o aterro deve ser similar ao feito em Goiás, para abrigar o Césio 137 - material radioativo que causou contaminação e morte de diversas pessoas em Goiânia, em 1987. ‘‘O aterro não será subterrâneo. Será sobre o solo, como um contêiner’’, explicou.
A construção do aterro químico deve ser feita conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Maria Zanata explicou que o material utilizado deverá ser o cimento. ‘‘O maior problema de um aterro é a infiltração de água’’, diz a secretária da prefeitura de Tamarana. ‘‘Por isso, serão criados mecanismos para evitar que possíveis vazamentos causem contaminação da área’’, ela acrescenta.
Além dos produtos tóxicos, serão aterrados o solo contaminado e os entulhos. ‘‘Provavelmente o prédio em que o veneno está armazenado será demolido’’, afirma a secretária.
Na opinião de Maria Zanata, a melhor solução seria a incineração do lixo tóxico. Mas, segundo ela, é uma alternativa inviável financeiramente. ‘‘O aterro é melhor que deixar como estᒒ, disse, lembrando que existem oito famílias de sem-terra que moram ao lado do local.
O laudo técnico preparado pela comissão será encaminhado no dia 4 de agosto para a Promotoria Especial de Proteção e Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Maria Lúcia Reichenbach. Segundo Maria Zanata, depois disso o relatório será encaminhado ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), prefeitura de Tamarana e Governo do Estado para avaliação e aprovação.
Os recursos para a execução da obra virão de um consórcio entre o Governo do Estado, associações e sindicatos nacionais das indústrias fabricantes de agrotóxicos.
O lixo tóxico está em Tamarana desde 1988, quando o governo federal, através do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, proibiu o uso de agroquímicos de alta periculosidade, como o BHC, DDT e Aldrin. Esses produtos foram recolhidos e depositados em galpões da Colônia Penal Agrícola de Tamarana.
No local onde está, o lixo tóxico pode contaminar o meio ambiente e representam riscos para a saúde humana. Por diversas vezes a polêmica em torno do lixo foi levantada, mas até agora o problema está sem solução.
A comissão que estudou o caso foi instituída em reunião na Promotoria do Meio Ambiente. A reunião foi chamada pela promotora Maria Lúcia Reichenbach, com o objetivo de resolver o problema o mais rápido possível. A equipe é composta por técnicos das secretarias estaduais de Agricultura e Saúde, da prefeitura de Tamarana, do IAP e das indústrias de agroquímicos.
O destino da Colônia Penal Agrícola, após a retirada do lixo, ainda não foi definido.

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