Comissão diz que não houve erro médico
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segunda-feira, 22 de julho de 2002
Phoenix Finardi<br> Reportagem Local 
''Uma fatalidade''. Essa é a conclusão do Secretário de Saúde de Londrina, Silvio Fernandes, e da comissão que investigou, durante três meses, a morte de Carolayne Alves Rocha, de um ano e cinco meses. A menina morreu depois de receber alta do Pronto Antedimento Infantil (PAI), no dia 30 de março. A investigação, feita pela enfermeira e advogada Maria Aparecida de Carvalho, pelo médico ginecologista Luiz Carlos Baldo e pela pediatra Luci Hirata, começou no dia 15 de abril, com a abertura de um processo administrativo. O documento com dois volumes e 499 páginas conclui que não houve erro médico nem erro nos procedimentos que foram tomados na unidade.
A causa da morte de Carolayne, reafirmada por laudo de necrópsia, foi a aspiração de conteúdo gástrico para o pulmão ocasionando uma asfixia mecânica. Em termos mais simples, a garotinha aspirou o próprio vômito e morreu asfixiada.
Carolayne foi levada para o PAI no dia 28 de março, com febre, tosse e vômitos. A criança foi medicada com plasil, ficou em observação e foi liberada às 15h40m do dia seguinte, apesar de continuar dormindo. No mesmo dia, um pouco mais tarde, a mãe retornou com a menina para o PAI, mas o diagnóstico foi o mesmo e ela voltou para casa. Durante a madrugada, os pais levaram a menina para o Hospital da Zona Sul, onde ela chegou morta.
Os pais de Carolayne registraram queixa na polícia e fizeram uma reclamação formal contra o PAI na Secretaria de Saúde. De acordo com o relatório dos médicos que investigaram o caso todos funcionários da Secretaria , ''a queixa não tem procedência e não é possível imputar culpabilidade pela causa da morte da criança''.
A avó da garotinha, Maria José Alves Lelis, ficou surpresa com o resultado da investigação. Pela manhã, a família ainda não havia sido comunicada pela secretaria. ''A minha neta foi mal atendida no PAI. Ela saiu de lá dormindo e não acordava para nada. Eu achei aquilo muito esquisito, falei para minha filha voltar lá com elas mas não adiantou, mandaram a menina de volta para casa e ela morreu naquela madrugada'', disse.
Ela contou também que a mãe da menina, Aline Maria Alves Lelis, 22 anos, não se conforma com o que aconteceu: ''Minha filha e meu genro choram o tempo todo. Era a primeira filha deles e não precisava ter morrido assim''. A reportagem da Folha não conseguiu falar com Aline, mas a mãe dela disse que a família contratou uma advogada e não vai aceitar a conclusão da Secretaria de Saúde.


