Comissão divulga novos envolvidos
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Procuradores do Município de Cascavel e membros de comissão interna de investigação da prefeitura admitiram ontem que uma quadrilha formada por servidores, devedores e intermediários praticou ao longo dos anos verdadeira orgia com IPTU e outros tributos municipais como ISSQN e taxa de lixo.
Baixas nos computadores, quitações nos carnês e isenções eram feitas das mais variadas formas, sem a entrada de dinheiro no caixa da prefeitura. Até pessoas de alto poder aquisitivo, empresas e parentes de servidores foram beneficiados com os desvios.
A prefeitura apura o caso há mais de dois meses e ontem foram revelados novos detalhes do período já analisado (a partir do início do ano), pelo presidente da comissão de investigação, o subprocurador jurídico Marco Antonio Padovani, o procurador Gilberto Gonzaga e o servidor Elói Pierozan, da Secretaria de Finanças.
Eles revelaram nomes de funcionários envolvidos e de apenas alguns intermediários e beneficiados. Há muita cautela na identificação dos beneficiados porque, segundo Padovani, ainda é preciso ficar definitivamente comprovado quem agiu dolosamente. Os servidores citados e já afastados são Nelson Somariva, João Carlos Engremon, Sônia Schulz, Dorotéia Kowalchuk e Lindolfo Ramon, que trabalhavam nos setores de tributos e fiscalização.
As investigações apontaram também que atuavam como intermediários de quitações Milton Volochen, funcionário de um escritório de contabilidade (o Iguaçu) e Mara Granzotto, filha de uma ex-servidora exonerada, Jacira Granzotto, que foi candidata à vereadora e suspeita de isentar IPTU.
A comissão já ouviu aproximadamente 100 pessoas e está encaminhando depoimentos e documentação à polícia para ser anexados ao inquérito em andamento, requisitado pelo Ministério Público. Segundo Marco Antônio Padovani, há depoimentos que reverteram em acusações dados sob sigilo, inclusive porque os depoentes temem por sua segurança ou já receberam ameaças. Por isso, não podemos revelar a extensão de nomes envolvidos na quadrilha.
A prefeitura prefere não estimar ainda o montante das fraudes porque as investigações terão que ser retroativas por vários anos. Entretanto, há especulação de que poderia passar de R$ 1 milhão.





