Representantes da Comissão de Ilhéus do Rio Paraná e da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi) se reúnem hoje em Guaíra (158 km ao norte de Cascavel) para discutir o encaminhamento das reivindicações de moradores e ex-moradores das ilhas do Rio Paraná. Cerca de 1.500 famílias cobram indenização pela perda das terras nas ilhas, devido a recente criação do Parque Nacional de Ilha Grande e também pela formação do Lago de Itaipu, em l982.
Os ilheús querem indenização justa para todos os atingidos. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Guaíra, Reinaldo de Oliveira Paz, os que não perderam as terras de imediato com a formação do lago foram expulsos depois pelas sucessivas enchentes nas ilhas. Agora, os últimos moradores - cerca de 200 famílias - terão que deixar as ilhas, transformadas em parque nacional em setembro do ano passado.
Na reunião, que começa às 9h30 no Sindicato dos Trabalhadores, a comissão vai definir para quais autoridades encaminhará a pauta de reivindicações. Além da indenização, os ilhéus pedem opção de reassentamento para quem preferir, como foi feito com os desalojados pela Hidrelétrica de Salto Caxias. Cobram ainda melhorias nos atuais assentamentos de ilhéus no Paraná e Mato Grosso do Sul, previsão de recursos no orçamento deste ano para os processos de indenização, participação dos ilhéus na elaboração do plano de manejo do parque e a formação urgente de uma comissão de negociação.
A pauta de reivindicações foi definida dia 9 de março durante assembléia em Guaíra, da qual participaram cerca de 800 pessoas. Os ilhéus vão esperar resposta até 31 de junho. Depois disso, prometem fazer protestos e até ocupar orgãos públicos. O movimento tem apoio da Crabi, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) e outras entidades.

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