Curitiba - Uma comissão paritária, composta de seis senadores brasileiros e seis paraguaios, irá discutir e apresentar propostas para a crise nas relações entre os dois países. O primeiro encontro da comissão deve acontecer em 10 dias. A criação do grupo foi proposta pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), durante a audiência pública realizada sexta-feira em Foz do Iguaçu, que debateu o agravamento da situação dos brasileiros que vivem em Ciudad del Este, no Paraguai, ou que apenas trabalham no país vizinho.
Mais de mil pessoas acompanharam a audiência promovida pela Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal. ''Brasil e Paraguai devem adotar medidas urgentes para acabar com o conflito e com as dificuldades dos brasiguaios, que vivem com medo de ser expulsos'', opinou o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Paraguaio, Alejandro Velásquez.
A crise entre Brasil e Paraguai começou quando a Receita Federal passou a intensificar a fiscalização dos produtos que saem de Ciudad del Este. Em contrapartida, o Paraguai apertou o cerco contra os brasileiros que trabalham lá, impedindo a entrada deles pela Ponte da Amizade.
Alvaro Dias invocou a declaração sociolaboral do Mercosul e fez um apelo para que os trabalhadores brasileiros no Paraguai tenham direito à ajuda, informação, proteção, igualdade de direitos e as mesmas condições dos trabalhadores nacionais. O senador propôs ao governo federal a adoção de procedimentos que permitam a cidadãos estrangeiros, que vivam em cidades de fronteira, exercer função remunerada. ''Temos que tratar das normas trabalhistas e previdenciárias do trabalhador fronteiriço, afinal estamos falando daqueles que exercem atividades profissionais no território de um estado-membro do Mercosul'', destacou.

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