Comissão da Câmara tem audiência hoje em Curitiba
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segunda-feira, 16 de outubro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Federal estarão em Curitiba hoje para uma audiência pública. Os deputados federais querem ouvir relatos sobre os assassinatos de mais de 20 pessoas nos últimos meses que poderiam ter envolvimento com o tráfico de drogas. A audiência pública será no plenarinho da Assembléia Legislativa a partir das 9 horas.
Entre as pessoas convidadas a prestar esclarecimentos à comissão estão o secretário de Segurança Pública, José Tavares, o promotor Dartanham Abilhoa, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC); o delegado Adauto Oliveira, do Grupo Especial Força e Repressão Antitóxicos (Fera), e dois deputados estaduais que fazem parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) estadual do narcotráfico.
O objetivo da comissão de direitos humanos é coletar informações sobre mortes de narcotraficantes após a passagem da CPI nacional contra o crime organizado por Curitiba, disse ontem o deputado Padre Roque (PT-PR), que apresentou requerimento para audiência pública da CDH no Paraná.
Nos últimos nove meses cerca de 20 jovens foram assassinados na Região Metropolitana de Curitiba em condições semelhantes. A maioria deles tinha envolvimento com o tráfico de drogas. A Secretaria de Segurança nega que haja ligação entre as mortes e o crime organizado.
Um dos fatos que mais chamou a atenção da CDH foi o assassinato de Paulo Fernando de Miranda, dia 12 de agosto. Ele estava preso na delegacia de Itaperuçu, depois de ser transferido sem explicação de uma delegacia de Curitiba, que oferecia mais segurança. Miranda era a principal testemunha de acusação contra Joarez Costa França, o Caboclinho, acusado pela CPI do Narcotráfico de comandar a máfia dos desmanches de carros na Região Metropolitana de Curitiba.
A audiência pública de hoje será presidida pelo presidente da CDH, deputado Marcos Rolim (PT-RS). Também devem participar os deputados Flávio Arns (PFL-PR), Doutor Rosinha (PT-PR) e Fernando Gabeira (PV-RJ). A CDH não tem poderes investigativos, ela faz um relatório sobre desrespeitos aos direitos humanos que tenham ocorrido e envia ao Ministério da Justiça e outros órgãos, solicitando que sejam tomadas medidas para evitar que isso continue a acontecer, acrescentou o deputado.


