Curitiba A Comissão de Educação da Assembléia Legislativa não aceita o fechamento ou municipalização de escolas estaduais para o ano que vem. Pais e professores reclamam que foram pegos de surpresa pela notícia, formalizada nesta semana. A comissão quer que a Secretaria de Estado da Educação autorize as matrículas de 2004 em todas as instituições e depois retome as negociações com a comunidade.
O número de escolas que podem ser fechadas ou municipalizadas ainda não está definido. A chefe do Departamento de Infra-Estrutura da Secretaria de Educação, Ana Lúcia Schulhan, disse que isso será decidido na semana que vem. ''Vamos conversar com algumas escolas que apresentaram motivos justos para não sofrerem modificações'', relatou. Segundo ela, o secretário Maurício Requião declarou que não vai interrromper o processo.
''O governo tem que se preocupar com as crianças que estão na rua, fora da escola, e não atrapalhar aquelas que já estão estudando'', disse Isabel Terezinha de Souza, mãe de alunos que estudam na Escola Estadual Guaíra, durante reunião ontem da Comissão de Educação. O ensino fundamental (1 a 4 séries) deve ser excluído dessa escola, que vai oferecer apenas da 5 a 8 série.
O presidente da APP-Sindicato, Paulo Lemos, disse que a municipalização pode aumentar a violência contra crianças. ''Há comunidades em que o aluno não pode frequentar outro bairro por causa da violência, da rivalidade'', observou. O presidente da Comissão de Educação da Assembléia, deputado estadual Tadeu Veneri (PT), criticou a forma como as escolas souberam do processo. ''Não há nada formalizado ainda, mas as escolas estão impedidas de fazerem as matrículas'', disse.
Para a presidente da Arppa (entidade que representa as associações de pais e mestres), Maria Aparecida Ribeiro, o governo estadual deveria abrir escolas em vez de fechá-las. Ela também criticou a municipalização que está sendo proposta. ''Se fosse o caso do Estado sair, ceder o prédio e entrar a administração municipal, tudo bem, porque a estrutura é mantida. O problema é que querem transferir alunos, sendo que eles e a família já têm vínculo forte com a instituição'', analisou.

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