Faltando ainda alguns dias para encerrar o prazo que dispunha, a comissão de sindicância instaurada na Universidade Estadual de Londrina (UEL) entregou no início da semana à reitora Lygia Puppato o relatório final das investigações sobre mensagens pejorativas, preconceituosas e ofensivas contra funcionários e pacientes do Hospital Universitário (HU) feitas por um grupo de residentes e ex-residentes de medicina em duas comunidades de internautas no site Orkut.
  A conclusão do relatório feito por uma docente, um funcionário e um estudante só será divulgada na próxima semana, quando a reitora retornar de Curitiba. Depois de analisar o documento, ela deve encaminhá-lo para apreciação da Procuradoria Jurídica. Só então será definido a instauração ou não de um processo administrativo-disciplinar que pode resultar desde uma advertência até exoneração (no caso de docentes e funcionários).
  Os envolvidos que não têm mais vínculo com a universidade poderão ser investigados, e punidos ou não, apenas pela Justiça comum. A Polícia Federal instaurou inquérito à pedido do Ministério Público Federal mas ontem o delegado responsável pelas investigações, Pedro Paulo de Figueiredo, não estava em Londrina para falar sobre o assunto. O Conselho Regional de Medicina (CRM) também investiga o caso.
  A presidente da comissão, professora Silvia Ponzoni, comentou que a sindicância foi baseada no depoimento de 13 pessoas, entre funcionários, docentes, residentes e ex-residentes. Ela explicou que o objetivo da comissão era identificar e apontar quais artigos do regimento interno teriam ou não sido infringidos pelos autores dos comentários. Ao todo o processo tem 180 páginas e mais 20 de relatório final.
  Os comentários feitos por um grupo aproximado de 20 residentes e ex-residentes estavam hospedados em duas comunidades do Orkut criadas em outubro de 200. As mensagens foram retiradas do ar em maio deste ano, poucos dias depois que o conteúdo das conversas ‘‘vazou’’ para servidores do HU. Os envolvidos apelidaram os funcionários de ‘‘trolls’’ (‘‘seres abomináveis, repugnantes e comedores de carne humana’’) e usaram expressões como ‘‘macaca de 15 arrobas’’ e ‘‘orangotango’’ para se referirem a servidores e pacientes.

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