Comissão busca traçar panorama da violência contra jovens
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de junho de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Vereadores da Comissão Especial de Violência e Morte da Juventude, da Câmara de Londrina, estão em busca de estatísticas para propor políticas públicas voltadas ao combate à violência contra jovens. A medida faz parte das estratégias que o grupo definiu ontem, em sua primeira reunião de trabalho. Um novo encontro está agendado para segunda-feira.
Representantes das polícias Civil e Militar devem ser convidados para os próximos debates, segundo o presidente da Comissão, Júnior Santos Rosa (PSC). "Queremos trazer a demanda de quem sofre a violência, as instituições que trabalham com esse público e ouvir a juventude, que vai apresentar suas dificuldades", afirmou.
Apesar da falta de dados sobre a violência envolvendo jovens em Londrina, o problema não passa despercebido na cidade. Na noite de segunda-feira, dois adolescentes de 16 e 17 anos foram mortos no Jardim Paraíso (zona norte) por atiradores em uma moto. De acordo com Rosa, existem informações preliminares que apontam que as zonas norte e oeste de Londrina são as campeãs em registros de violência. Ainda assim, aponta ele, é necessário que os dados sejam mais precisos. "Temos de levantar dados concretos para que possamos fazer políticas públicas para esse público de 15 a 29 anos", sustentou.
Rosa reforça que as estatísticas são importantes para ajudar no mapeamento das situações de violência que envolvem a juventude local. Isso porque a problemática da violência envolvendo o jovem, assinala, vai além dos homicídios. "Pode ser a violência sexual, a do tráfico de drogas, das brigas comunitárias ou a violência na família", enumerou.
Representantes estaduais da Central Única das Favelas (Cufa) acompanharam a discussão de ontem. A organização, que trabalha com ações sociais e preventivas dentro de territórios periféricos, avalia que a iniciativa pode ajudar no desenvolvimento de ações mais efetivas no combate à violência envolvendo a juventude. "Teremos documentos em mãos que poderemos levar aos órgãos competentes para realizar projetos ou políticas públicas para coibir o avanço dos números diagnosticados", salientou o presidente da Cufa no Paraná, José Antônio Campos.
Para ele, a violência é resultado da falta de ações do poder público. "Onde sobra ociosidade, o jovem fica à mercê de mazelas, como o tráfico", pontuou. Campos espera que, ao final da atuação da comissão, algum projeto sobre o tema possa ser proposto na Câmara.
A Comissão Especial de Violência e Morte da Juventude é temporária. Inicialmente, a previsão é que os trabalhos durem 90 dias, podendo ser prorrogados por mais 45. Além do vereador Júnior Santos Rosa, integram o grupo Emanoel Gomes (PRB) e Gustavo Richa (PHS).


