Comissão avalia mudança nas férias escolares
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segunda-feira, 22 de outubro de 2001
Rosana Félix<br> De Curitiba 
Representantes dos municípios do Litoral do Paraná e da Secretaria Estadual da Educação decidiram ontem criar uma comissão para estudar opções para o calendário escolar do ano que vem. A intenção é prolongar o máximo possível as férias de verão, já que os comerciantes da região se sentem prejudicados quando as aulas começam antes do Carnaval.
O acordo foi feito em reunião mediada pela Associação Comercial do Paraná (ACP). Este é o quarto ano consecutivo em que lideranças do Litoral tentam mudar o calendário escolar, mas pela primeira vez o assunto é debatido num encontro com vários representantes do governo e dos municípios. A comissão foi formada com membros das cidades litorâneas, das secretarias da Educação e da Indústria, Comércio e Turismo, da Associação dos Municípios do Paraná, da ACP e das escolas privadas.
Os representantes do Litoral querem que as aulas comecem após 25 de fevereiro, dez dias depois do Carnaval. Segundo o líder do movimento, José Carlos Weil, da Associação Comercial de Guaratuba, o faturamento diário dos municípios litorâneos durante as férias varia de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões. ''Se encurtarem as férias em dez dias, perdemos o equivalente a dez orçamentos anuais da prefeitura'', afirmou.
A secretária da Educação, Alcyone Saliba, disse que é possível a implantação de um calendário que ajude os comerciantes do Litoral, desde que sejam respeitadas as legislações trabalhistas e educacionais e a política do governo em oferecer mais de 200 dias letivos, o mínimo exigido por lei. Segundo ela, em duas das cinco opções para o calendário escolar de 2002 as aulas têm início no dia 25 de fevereiro.
Alcyone Saliba destacou a necessidade de se fazer um trabalho de divulgação junto aos outros municípios do Estado. ''No ano passado, havia duas opções em que as aulas começavam em 2 de março. Mas 98% dos municípios, até mesmo do Litoral, escolheram datas diferentes, que começavam antes'', relatou. Ela também sugeriu um estudo para apurar o perfil dos veranistas. ''Tenho a impressão de que não são os pais dos alunos das escolas públicas que passam o verão na praia'', observou.
Para o presidente da Associação Comercial de Pontal do Sul, Jaime Luiz Cousseau, isso não é verdade. ''Infelizmente, o nosso faturamento ainda depende do início e do fim das aulas'', disse.


