Comissão apura abuso de autoridade contra civis
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Edna Mendes Correspondente 
GUARAPUAVA - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Guarapuava, acaba de criar no município uma Comissão Especial de Direitos Humanos. Nos últimos meses, houve várias denúncias de agressão e abuso de autoridade por parte de policiais militares do 16º Batalhão.
A comissão vai receber denúncias e encaminhar à OAB de Curitiba, que após analisar os casos, pedirá providências ao Comando de Polícia do Interior e Secretaria de Seguarança Pública.
Segundo o advogado e vice-presidente da comissão, Ademar Moss, a preocupação em criar esta comissão surgiu depois que a polícia passou a agir de modo diferente com os cidadãos. As últimas denúncias só vieram a público por se tratar de pessoas conhecidas na sociedade e que foram agredidas no centro da cidade. Se esses policiais estão agindo assim no centro, imagina na periferia? - indagou. Ele disse que a comissão receberá qualquer tipo de denúnica sobre violação de direitos humanos.
Segundo uma das denúncias, um grupo de menores que passeava no centro da cidade foi abordado e agredido por policiais. Após uma discussão com os policiais, um dos menores recebeu um tiro de raspão na cabeça. Outro menor teria levado duas coronhadas. Os policiais estavam à paisana, mas com armas da polícia. Somente oficiais podem andar com armas da corporação quando estão à paisana.
Entre as recentes denúncias está o caso do empresário Herondi Gottlieb Ferreira, que após ter sido abordado por policiais para que apresentasse seus documentos, se negou e acabou sendo agredido. O empresário teve rompimento do baço devido a um chute que teria recebido de um dos policiais.
O comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, major Robenson Máximo Fim, disse que acha excelente a iniciativa da OAB em criar a comissão. A comissão vai analisar como anda a segurança em Guarapuava. Estamos confiantes nela, afirmou.
O comandante disse que todas as denúnicas estão sendo investigadas e que foram abertos inquéritos administrativos para apurar os casos. No caso do empresário, no exame de dosagem ficou comprovado que Ferreira tinha ingerido bebida alcoólica, afirmou.
Segundo o advogado do empresário, Miguel Nicolau Júnior, o exame de dosagem alcoólica apresentou 0,5 ml/litro de álcool no organismo, quando o limite de embriaguez fica caracterizado em 0,8 ml/litro. Todos os casos estão registrados na 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava.


