Comissão aprova uso de celas modulares
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Depois de conhecer a realidade do Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná aprovou o uso temporário das celas modulares de concreto. Porém, o advogado membro da Comissão, Clerverson Marinho Teixeira, voltou a ressaltar que antes da instalação das celas, daqui a 20 dias, é necessário a inspeção de órgãos técnicos das áreas sanitária e de engenharia para homologar que o equipamento pode ser de fato usado como abrigo humano.
''Os novos abrigos são somente para 12 adolescentes. E eles nos disseram que essas celas são temporárias e vão ser acopladas a uma sala de atividades. E os meninos que vão para lá são aqueles que têm condições de reintegração mais rápida'', afirmou Teixeira. As celas são um módulo de concreto com camas, banheiros e até pequenas mesas. Elas podem ser feitas em vários tamanhos com capacidade para quatro, oito ou 12 pessoas. O Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), órgão estadual responsável pelos educandários, pretende usar dez celas em caráter emergencial em educandários em seis cidades.
Comparado ao que viu no Educandário, Teixeira não pôde deixar de admitir que, mesmo para uso temporário, as novas celas são de fato melhores do que as acomodações atuais. O advogado ressaltou que as camas, assim como as mesas, são de concreto e fazem parte da estrutura do abrigo. Isto é, não são de madeira, o que muitas vezes serve como arma para os adolescentes. ''O que vimos nos dormitórios do Educandário foram colchões jogados no chão. Justamente por causa deste problema.''
A presidente da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, Marta Tonin, reafirmou que o uso das celas modulares tem que ser temporário. E garantiu que a Comissão vai acompanhar a instalação e uso dos novos abrigos. ''É um paliativo. Mas o problema é que os estados estão correndo atrás do prejuízo'', afirmou.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR conheceu as celas na semana passada, quando foi até a empresa que as fabrica. Na ocasião já tinha recomendado a inspeção de órgãos técnicos.


