Comida não presta, diz Saúde
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quinta-feira, 26 de março de 1998
Benê Bianchi 
O setor de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Cambé (11 quilômetros a oeste de Londrina) lacrou ontem a empresa Freezagro, impedindo que os alimentos que estavam estocados continuassem a ser distribuídos. A empresa teve a energia elétrica cortada pela Copel, no início de março, em função de dívidas que chegam a R$ 500 mil.
Com as câmaras frias desligadas há tanto tempo, a Vigilância Sanitária constatou que os alimentos já estavam deteriorados e sem condições de consumo. Com isso, 20 toneladas de verduras e legumes que estavam congelados (brócolis, couve-flor, batata e pimentão) terão que ser jogados fora. A empresa estava doando a comida para a população, dando prioridade para creches.
Nosso trabalho é monitorar a qualidade dos alimentos consumidos em Cambé, comenta o secretário de Saúde do município, Antônio da Silva Freitas. Segundo ele, a equipe fez uma análise da qualidade dos alimentos e a grande maioria do estoque não está em condições de consumo por não estar devidamente conservada.
Antônio Freitas salienta que o setor de saúde de Cambé não foi comunicado da intenção da empresa em fazer doações. Se isso tivesse ocorrido, teríamos feito uma programação de distribuição no tempo certo. De acordo com o secretário, a empresa terá, agora, que dar um jeito nos alimentos que continuam nos galpões. É um problema que os donos terão que solucionar.
Ele orienta a população que tenha levado comida da Freezagro - chegaram a ser distribuídas cerca de 10 toneladas - a não consumi-la. Esperamos que as pessoas tenham bom senso.
A empresa demitiu todos os funcionários há cerca de um mês e tem várias pendências judiciais. A Justiça marcou para dia 8 de abril o leilão de parte de seu maquinário.


