Comida é risco potencial para a segurança
Será no meio da comida que entram estoques, estiletes e outros instrumentos surgidos misteriosamente entre os presos em dias de fugas e rebeliões? Policiais civis e agentes penitenciários garantem que nada passa pelas grades dos distritos policiais (DPs) e unidades prisionais antes de rigorosa revista. Devido aos riscos que a hora da refeição pode trazer à segurança, existe até uma lista de alimentos e embalagens proibidas.
Na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), uvas só podem ser consumidas no pátio. Isso porque, se armazenada, a fruta pode fermentar e produzir álcool - substância que não é permitida. Produtos industrializados como iogurtes, sucos, refrigerantes e bolachas só chegam aos detentos se forem transferidos para embalagens transparentes. Bolos e tortas são furados; frutas, sempre picadas.
As restrições recaem sobre a própria comida servida pelas instituições. De acordo com Elizabet Mafiero, nutricionista responsável pela Coam - empresa que fornece alimentação para grande parte das carceragens de Londrina - as carnes jamais podem ser entregues com ossos. Talheres e canecas têm que ser feitos de plástico e as embalagens de alumínio são recolhidas após as refeições.
A Casa de Custódia de Londrina (CCL) descobriu que a comida pode até mesmo provocar inimizade entre os presos, o que também representa um risco para a segurança da unidade. No presídio, parte das refeições é fornecida pela Coam (devido a um acordo feito com a Secretaria de Estado da Segurança Pública) e o restante por uma empresa contratada especificamente para a CCL.
O vice-diretor da unidade, Adilson Barbosa de Souza, diz que até pouco tempo a diferença entre os cardápios era motivo de atritos. ''A solução foi implantar um rodízio, em que todos os presos acabam comendo de ambos os fornecedores. É mais fácil mudar o sistema do que lidar com uma possível rebelião'', pondera. (V.N.)





