A recuperação de doentes nos hospitais ganhou um aliado importante. O cardápio das instituições está mais atrativo. Melhor para os pacientes, que recebem alimentação saudável e, quando possível, contam com um um tempero a mais. As nutricionistas confirmam que, apesar de serem coadjuvantes no tratamento (terapias médicas permanecem essenciais), os alimentos são importantes para a cura. Hoje existe até um conceito chamado hotelaria hospitalar. É um serviço mais especializado para satisfazer o paladar dos doentes.
Nas instituições de grande porte, o cardápio geral é voltado para os pacientes sem restrições alimentares. Pessoas com diabete e renais crônicos, por exemplo, recebem refeições diferenciadas. A verificação é feita por equipes de nutricionistas clínicas, responsáveis pelas visitas aos leitos. É óbvio, porém, que sal e gordura são evitados. Nada diferente do que é recomendado para quem está saudável e pretende manter-se assim.
E o que não falta é trabalho. O padrão das instituições é servir cinco refeições diárias: café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia. A Santa Casa serve 1,2 mil pratos por dia. A média do Hospital Universitário é de 1,5 mil. E a alimentação é fornecida tanto para os pacientes quanto para os acompanhantes.
O bancário Reinaldo Tetsuo Uemura, 48 anos, de Arapongas, ficou internado na Santa Casa para recuperar-se de uma cirurgia cerebral. Após uma semana no hospital, a vontade de ir embora era grande. Mas ele garantiu que a comida não era um dos motivos. ''A refeição é muito bem temperada. A gente fica debilitado e se não come, a situação fica pior. Mas a comida é muito boa e o cardápio não foi repetido nenhuma vez durante toda a semana'', afirma. A esposa Cristina, 46, tem opinião semelhante e comentou que no período nem precisou deixar o hospital para buscar outros tipos de refeição.
A variedade de pratos é fruto de um conceito que ainda engatinha nas instituições londrinenses: hotelaria hospitalar. Trata-se de um serviço mais especializado para satisfazer o paladar dos doentes. Hoje, os pacientes recebem pratos com apresentação mais elaborada. ''Mas a comida é preparada da mesma forma e pelas mesmas pessoas. Tanto que acontecem casos de pacientes falarem que não querem ir embora. Há pacientes que não têm essa alimentação de qualidade em casa'', revela a nutricionista Karen Cristina Volpini Colinete, da Santa Casa.
O capricho no preparo não torna, porém, os cardápios hospitalares isentos de críticas. E o motivo da queixa nem sempre é o sabor dos pratos. Ou a falta dele. A explicação em muitos casos está na cabeça e não nas papilas gustativas. ''É uma questão emocional e a gente sabe que o escape é na comida. Muitas vezes é o acompanhante quem reclama'', acrescenta. Nestes casos, as profissionais procuram conversar com o paciente e, quando possível, satisfazer o capricho de quem está internado. E assim o doente ganha mais um alívio no sofrido período da convalescência.

mockup